Dólar cai e fecha em R$ 5,40, após prisão de Maduro pelos EUA; Ibovespa sobe
A moeda americana teve queda de 0,34%, cotada a R$ 5,4054. Já a bolsa teve alta de 0,83%, aos 161.870 pontos.
Notas de dólar. — Foto: Reuters
Por Redação g1 — São Paulo - 05/01/2026
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,34% nesta segunda-feira (5), cotado em R$ 5,4054. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 0,83%, aos 161.870 pontos.
Os desdobramentos da crise na Venezuela e as projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central deram o tom da primeira sessão desta semana, com investidores atentos a possíveis impactos nos mercados financeiros e de commodities. Mudanças na composição do Ibovespa também fica-ram no radar.
▶️ O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, dominou as atenções dos mercados nesta segunda-feira. Durante audiência em Nova York, Maduro se declarou inocente de todas as acusações diante da Justiça dos EUA, alegando ser um "prisioneiro de guerra" do governo de Donald Trump.
O venezuelano é acusado pelos EUA de narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de armas e explosivos e conspiração para a possa de armas e explosivos.
▶️ Diante desse cenário, os preços do petróleo fecharam em alta, assim como os preços do ouro e dos títulos de dívida venezuelanos, refletindo expectativas de reestruturação da dívida do país sul-americano.
▶️ No Brasil, o boletim Focus trouxe as primeiras projeções do ano: economistas esti-mam queda nos juros, crescimento mais lento do PIB, inflação dentro da meta e câmbio estável. A previsão para 2025 recuou para 4,31%, enquanto para 2026 subiu levemente para 4,06%.
▶️No mercado acionário, o foco ficou com a nova composição do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. A nova carteira do índice passa a incluir as ações da Copasa (CSMG3) e retira os papéis da CVC Brasil (CVCB3), conforme a última prévia divulgada.
💲Dólar
• Acumulado da semana: -0,34%;
• Acumulado do mês: -1,52%;
• Acumulado do ano: -1,52%.
📈Ibovespa
• Acumulado da semana: +0,83%;
• Acumulado do mês: +0,46%;
• Acumulado do ano: +0,46%.
EUA x Maduro
A prisão de Nicolás Maduro pelo governo dos EUA trouxe bastante volatilidade nesta segunda-feira (5). Além das incertezas geopolíticas com os ataques e ameaças dos americanos ao país latino-americano, há uma série de suposições entre investidores sobre os possíveis impactos no petróleo.
Isso porque uma das primeiras afirmações feitas por Trump após a prisão de Maduro foi que os EUA controlariam o petróleo venezuelano e mandariam as petrolíferas americanas de volta ao país para "consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado".
Trump também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força da indústria de petróleo construída, segundo ele, com capital e expertise americanos.
“Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anterio-res”, afirmou.
Para o presidente dos EUA, o episódio representou “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”.
Segundo analistas disseram à Reuters, a principal preocupação do mercado é de como os fluxos de petróleo da Venezuela vão mudar por conta das ações dos EUA.
• 🔎A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, restringida pela má administração e pela falta de investimentos estrangeiros após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. Com a ação dos EUA, a expectativa de alguns agentes do mercado é a de que o petróleo venezuelano seja liberado e disponibilizado, aumentando a oferta da commodity no mercado internacional.
Diante desse cenário, os preços do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, assim como o ouro e a prata. Os títulos de dívida venezuelanos também subiram, refletindo as expectativas de reestruturação da dívida do país sul-americano.
Agenda econômica
• Boletim Focus
Economistas do mercado financeiro passaram a projetar queda dos juros, desaceleração no crescimento da economia, inflação dentro das metas oficiais e um câmbio relativamente estável. As estimativas refletem a primeira rodada de projeções do ano.
Os dados fazem parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central (BC). O relatório reúne expectativas de mais de 100 instituições financeiras, com base em pesquisa realizada na última semana.
No caso da inflação, a previsão para 2025 — cujo resultado oficial ainda será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — segue dentro do intervalo permitido pelo sistema de metas do governo, assim como as projeções para os anos seguintes.
• ➡️ Para 2025, a estimativa caiu de 4,32% para 4,31%, na oitava redução consecutiva;
• ➡️ Para 2026, houve leve alta, de 4,05% para 4,06%;
• ➡️ Para 2027, a projeção permaneceu estável em 3,80%.
Em relação à atividade econômica, o mercado manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 em 2,26%. Para 2026, ano de eleições presidenciais, a expectativa também não mudou e segue em 1,80%.
No câmbio, após o dólar ter recuado mais de 11% em 2025 — movimento influenciado pelos juros elevados no Brasil — e encerrado o ano cotado a R$ 5,4887, os economistas projetam que a moeda norte-americana termine 2026 em R$ 5,50.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street abriram em alta nesta segunda-feira, com a recuperação das ações de tecnologia e os ganhos dos papéis de empresas petrolíferas após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA em um ataque militar.
As ações de companhias como Exxon Mobil e Chevron subiam com força, assim como empresas de serviços petrolíferos, mesmo com os preços do petróleo recuando diante de temores de excesso de oferta.
O Dow Jones subia 0,19% na abertura, para 48.475,81 pontos. O S&P 500 tinha alta de 0,49%, para 6.892,19 pontos, enquanto a Nasdaq Composite avançava 0,92%, para 23.449.669 pontos.
Os mercados da Europa encerraram o pregão em alta, impulsionados pelo desempenho do setor de defesa, em meio ao aumento das tensões geopolíticas. A perspectiva de elevação nos orçamentos militares sustentou a valorização das ações do segmento, que atingiram o maior nível em quase três meses.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,94%, aos 601,76 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 600 pontos.
Entre as principais bolsas, Londres teve alta de 0,54%, com o FTSE 100 aos 10.004,57 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,34%, para 24.868,69 pontos, enquanto em Paris o CAC 40 avançou 0,20%, aos 8.211,50 pontos.
Já as bolsas asiáticas fecharam em forte alta, impulsionadas pelo setor de defesa.
Em Tóquio, ações de fabricantes como IHI Corp e Mitsubishi Heavy Industries dispararam, en-quanto o Kospi, na Coreia do Sul, renovou recorde histórico pelo segundo pregão consecutivo, apoiado também por papéis de tecnologia.
No fechamento, o Nikkei subiu 2,97%, a 51.832,80 pontos; o Kospi avançou 3,43%, a 4.457,52 pontos; e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,57%, a 30.105,04 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng ficou praticamente estável, com alta de 0,03%, a 26.347,24 pontos. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,38%, a 4.023,42 pontos, e o Shenzhen Composto avançou 2%, a 2.581,52 pontos.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/05/dolar-ibovespa.ghtml




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