No Dia Internacional do Turismo, ministro destaca o Ceará como um dos principais motores do turismo no Brasil

Os efeitos de todo esse trabalho serão sentidos de forma muito visível na economia real", comenta Gustavo Feliciano. Veja toda entrevista abaixo.

Por Armando de Oliveira Lima - 27/09/2026

Gustavo Feliciano, ministro do TurismoCrédito: Roberto Castro/Divulgação MTur 

Ao celebrar o Dia Internacional do Turismo neste domingo, 27, o ministro Gustavo Feliciano (Turismo) comentou as principais atividades do setor em território cearense e destacou o Ceará "como um dos principais motores do turismo no Brasil" em entrevista exclusiva ao O POVO. 

Descentralização da malha aérea, promoção de voos diretos entre destinos inéditos, divulgação internacional do Estado e recursos para financiar a cadeia produtiva do setor estão entre as medidas destacadas por Gustavo Feliciano em entrevista exclusiva ao O POVO

"Somos o melhor País para se fazer turismo na América Latina", afirmou, ao apontar o potencial diverso no qual os destinos cearenses estão inseridos.

De 2023 até setembro deste ano, as iniciativas cearenses no setor contaram com R$ 39,2 milhões do Fundo Geral do Turismo (Fungetur), a partir de 35 contratos. Desse total, R$ 34,7 milhões tiveram como objetivo principal capital de giro. 

Restaurantes/bares/cafeterias (R$ 9,28 milhões), meios de hospedagem (R$ 9,2 milhões) e parques temáticos (R$ 4,9 milhões) foram os segmentos que mais demandaram recursos do Fungetur, segundo o Ministério do Turismo (MTur).

O MTur ainda está desenvolvendo a Pesquisa Nacional de Demanda Turística (PNDT). A investigação inédita é realizada em parceria com o Itaipu Parquetec (o antigo Parque Tecnológico Itaipu – PTI) e com apoio da Rede Brasileira de Observatórios de Turismo (RBOT). Neste trabalho, 50 municípios brasileiros estão envolvidos, incluindo Fortaleza e Caucaia, no Ceará. 

A PNDT deve reunir dados para a formulação de melhores políticas públicas com o objetivo de impulsionar os números do turismo nacional, que contou com 6,4 milhões de turistas internacionais de janeiro a agosto de 2026 — o segundo melhor resultado da história para o período.

"Estamos convencidos de que os efeitos de todo esse trabalho serão sentidos de forma muito visível na economia real", comenta Gustavo Feliciano. Confira a entrevista na íntegra:

O POVO — O Ministério e o Governo do Ceará repassaram à Anac um pedido de internacionalização do Aeroporto de Jericoacoara, mas a concessionária Fraport avalia que isso só seria viável após obras de expansão previstas para serem concluídas em três anos — contrastando com a estimativa inicial do Estado, de 90 dias. Como o ministro pretende fazer na região para tornar Jeri mais atrativa a rotas internacionais?

Ministro Gustavo Feliciano — Nosso compromisso é criar condições estruturantes para que Jericoacoara e destinos de todo o Brasil recebam cada vez mais visitantes estrangeiros. Jericoacoara é uma das nossas maiores joias e já integra ativamente o portfólio de promoção do turismo do Brasil no exterior. Para estimular o desenvolvimento do turismo local, investimos R$ 6 milhões na pavimentação do acesso ao Parque Nacional de Jericoacoara.

Nosso foco é garantir que o turista encontre uma experiência de excelência. Sobre o processo de internacionalização do Aeroporto de Jericoacoara, essa é uma pauta técnica que está sendo tratada diretamente pelo Ministério de Portos e Aeroportos em conjunto com o Governo do Ceará. Entendemos a importância das adequações estruturais previstas para o terminal e temos a convicção de que essa iniciativa, quando for viabilizada, dará um salto qualitativo na conectividade da região, favorecendo diretamente a chegada de novos visitantes do mundo todo.

OP — A recente inauguração da rota direta entre Belo Horizonte e Canoa Quebrada (Aracati) mostra o potencial de ligar o Sudeste ao litoral cearense. Como o Ministério tem atuado junto às companhias aéreas para multiplicar esse modelo de voos regionais diretos para o interior do Nordeste, sem depender apenas das capitais?

Conteúdo Promovido

Gustavo Feliciano — Para multiplicar iniciativas bem-sucedidas como essa, o Ministério do Turismo mantém uma articulação permanente junto às companhias aéreas e ao setor de aviação, trabalhando continuamente no sentido de ampliar a conectividade aérea nacional. Nosso objetivo central é encurtar distâncias, reduzir custos operacionais e incentivar a criação de novas frequências que conectem grandes mercados emissores diretamente aos polos turísticos do Interior. 

Um dos pilares estruturantes dessa estratégia é a renovação do programa “Conheça o Brasil: Voando” desenvolvido em parceria com as empresas aéreas para estimular a expansão da oferta de rotas em todo o território nacional. Os resultados das nossas ações são expressivos: de janeiro a agosto, 68 milhões de passageiros voaram pelo Brasil, um recorde. Seguiremos trabalhando lado a lado com as companhias aéreas e os governos estaduais para que mais destinos como Canoa Quebrada e se conectem diretamente com o Brasil e o mundo.

OP — O Ceará sofreu ao longo de 2026 com retração no movimento turístico. Como o senhor avalia essa queda no Estado e quais ações concretas o Ministério vem desenvolvendo em parceria com o governo cearense para assegurar uma recuperação no segundo semestre de 2026 e início de 2027?

Gustavo Feliciano — O turismo é um setor dinâmico e sujeito a oscilações de mercado, mas os dados mostram claramente que o Estado possui fundamentos sólidos e uma capacidade de atração extraordinária. Entre janeiro e agosto de 2026, o Ceará recebeu mais de 86 mil turistas internacionais, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. São mais estrangeiros ocupando hotéis, consumindo nos restaurantes, contratando passeios e comprando do pequeno empreendedor.

O Ministério do Turismo e o Governo do Ceará vêm trabalhando de forma integrada em frentes como a expansão e a descentralização da malha aérea. Estamos ampliando conexões diretas entre grandes mercados emissores e o litoral cearense, a exemplo da própria pela rota Belo Horizonte–Aracati.

Esse trabalho conjunto permite que o Estado não apenas supere oscilações temporárias, mas se consolide como um dos principais motores do turismo no Brasil.

OP — O preço da passagem aérea é um dos maiores gargalos do setor. Dados da Anac mostram que a tarifa aérea real média doméstica atingiu R$ 776,87 em agosto, a maior marca em quase dois anos. Que medidas concretas o Governo Federal adota para baratear os voos e garantir que a classe média e a população de menor renda possam viajar pelo Brasil?

Gustavo Feliciano — O Governo Federal tem atuado com firmeza e responsabilidade, até porque a democratização do acesso ao turismo é uma diretriz inegociável da nossa gestão. Viajar pelo Brasil não pode ser um privilégio de poucos, e sim um direito acessível a todos. Cabe lembrar que, em meio às tensões geopolíticas internacionais, como a guerra no Oriente Médio, foram zeradas as alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV (querosene de aviação), buscando aliviar os custos das companhias aéreas.

O “Conheça o Brasil: Voando” é uma das nossas frentes de atuação. Ele envolve medidas como a organização da oferta de stopover, que permite ao passageiro parar por um ou mais dias em uma cidade intermediária, sem custo extra, antes de seguir ao destino final.

Trabalhamos continuamente para ampliar a oferta de voos, assentos, e aumentar a competitividade do mercado nacional, garantindo que as famílias brasileiras ocupem os aviões e movimentem a economia dos nossos destinos.

OP — O MTur está desenvolvendo uma Pesquisa Nacional de Demanda Turística (PNDT) para mapear a jornada completa do visitante. De que forma prática os dados coletados em cidades como Fortaleza e Caucaia podem se transformar em políticas públicas para o setor?

Gustavo Feliciano — Essa pesquisa inédita foi desenhada para transformar a gestão do turismo brasileiro, saindo do campo das estimativas e migrando para tomadas de decisão baseadas em evidências estatísticas concretas. Na prática, a radiografia completa capturada em Fortaleza e Caucaia vai permitir o direcionamento mais preciso de recursos para infraestrutura, por exemplo, pois a avaliação feita pelos visitantes indica exatamente onde o poder público precisa intervir de forma prioritária.

https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/09/27/no-dia-internacional-do-turismo-ministro-destaca-o-ceara-como-um-dos-principais-motores-do-turismo-no-brasil.html