Aço Cearense posterga projeto de laminadora

O grupo informou que o mercado de aço tem acompanhado o delicado cenário financeiro atual

CENÁRIO ECONÔMICO NEGATIVO Em novembro de 2013, a Posco e a Aço Cearense assinaram um Memorando de Entendimentos estabelecendo a intenção de desenvolverem o estudo de viabilidade técnica e econômica para a instalação de uma laminadora de aços planos no Cipp O atual cenário econômico de instabilidade poderá colocar em risco a concretização de um outro empreendimento de grande porte que vem sendo pensado para o Ceará. A Aço Cearense estuda, desde 2013, a instalação de uma laminadora de aço no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), em parceria com a sul-coreana Posco, sócia da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). A previsão era de que o empreendimento já iniciasse as operações no ano que vem, mas agora os dois grupos empresariais decidiram ter "cautela" antes de aplicar o investimento. "A parceria do Grupo Aço Cearense com a coreana Posco para a construção de uma laminadora de aços planos, prevista para ser executada nesse ano, continuará em estudos e aguardará um cenário econômico mais oportuno para ser colocada em prática", informou ao Diário do Nordeste a empresa cearense, através de nota enviada por sua assessoria de imprensa. Memorando Em novembro de 2013, após seis meses de conversas, os dois grupos assinaram um Memorando de Entendimentos (MOU), que estabelece a intenção de ambos de desenvolverem o estudo de viabilidade técnica e econômica para a instalação de uma laminadora de aços planos no Cipp. A parceria só deve ser firmada após a conclusão deste documento, que ainda está em elaboração. Segundo a Aço Cearense, o atual momento será aproveitado para finalizar o estudo. O grupo aponta que o mercado de aço acompanha o delicado cenário financeiro atual. Como prova disso, cita dados fornecidos pelo Instituto Aço Brasil, que revelam uma queda no consumo de aço da ordem de 11% no terceiro trimestre de 2014, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar da conjuntura desfavorável, a empresa garante que ainda tem interesse no projeto de laminadora no complexo industrial. "É preciso rever e acompanhar o posicionamento do mercado. O projeto da construção da laminadora continua viável, mas a economia hoje é outra, diferente de quando ele foi concebido. Ainda há interesse no projeto, no entanto, é preciso ter cautela financeira neste momento. Trata-se de um investimento de grande vulto e a responsabilidade do Grupo Aço Cearense é muito grande", posiciona-se. 'Cautela financeira' Na nota, o grupo informa ainda que as cinco empresas que mantem, localizadas no Ceará, Pará e Tocantins, deverão atravessar esse momento de crise. "Dessa forma, nada mais recomendado do que cautela financeira no cenário atual". "O Grupo Aço Cearense ficará atento a essas mudanças do mercado e avaliando até que a situação seja favorável para novos investimentos", conclui o grupo, reforçando, contudo, que os seus projetos já em andamento continuarão a ser executados. O grupo está investindo na segunda fase da Siderúrgica Norte Brasil S.A. (Sinobras), instalada em Marabá (PA), projeto que prevê a expansão da capacidade de produção da sua usina de aços longos. Laminadora A laminadora em estudo para o Ceará está orçada, em sua primeira fase, em US$ 800 milhões (aproximadamente R$ 2,6 bilhões, com a cotação do dólar a R$ 3,26). Nessa etapa, a capacidade de laminação seria de 700 mil toneladas/ano de bobinas (laminado a quente, laminado a frio e galvanizadas). Numa segunda fase, prevê-se que o total produzido passe para um milhão de toneladas/ano, do mesmo tipo de bobinas. Com a entrada em operação da usina, a Aço Cearense já havia informado, no ano passado, que cessaria as suas importações, que totalizavam à época 500 mil toneladas, adquiridas de 33 países. A outra parte da produção do futuro empreendimento seria comercializada para outras companhias da região. Sérgio de Sousa Repórter