PP e União Brasil não devem apoiar Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais

Os partidos também enfrentam pressão de diretórios do Nordeste por neutralidad

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (c), faz um pronunciamento na tarde desta terça-feira, 19 de maio de 2026, na sede de seu partido em Brasí-lia (DF). — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Por Victória Cócolo — São Paulo - 10/07/2026 

Dirigentes da federação formada pelos dois partidos indicam que a decisão deve ser tomada por causa de atritos com o senador e da pressão de lideranças estaduais por neutralidade na disputa pelo Planalto.

A federação formada por União Brasil e Progressistas não deve apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A decisão foi motivada por desgastes com Flávio Bolsonaro e pela insatisfação de Ciro Nogueira e Antonio Rueda com a falta de apoio público do senador.

Os partidos também enfrentam pressão de diretórios do Nordeste por neutralidade, mas o Progressistas de São Paulo planeja apoiar Flávio para fortalecer Guilherme Derrite.

A federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (União Progressista) não deve apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Sem uma aliança nacional, a tendência é que os diretórios estaduais das legendas tenham liberdade para apoiar o candidato que considerarem mais conveniente em cada estado.

A decisão foi influenciada por desgastes na relação entre Flávio e dirigentes da federação nos últimos meses, além da pressão de lideranças estaduais pela neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.

A federação partidária reúne duas ou mais siglas, que passam a atuar nacionalmente de forma conjunta durante, no mínimo, quatro anos.

O Progressistas (PP) já demonstrava insatisfação com a postura de Flávio desde que o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira, foi alvo da Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, em maio deste ano. Nogueira esperava uma manifestação pública de Flávio Bolsonaro em sua defesa, o que não ocorreu.

Antes do desgaste entre as duas legendas, a hipótese de Ciro Nogueira compor como vice em uma chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro chegou a ser considerada.

Nesta semana, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também passou a demonstrar incômodo após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e aliado de Flávio.

Canella foi preso na quarta-feira (8), após um fuzil ser encontrado no porta-malas de seu carro durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que o fuzil era utilizado por um policial militar que integra a equipe de segurança dele. Segundo a investigação, no entanto, o ex-prefeito não apresentou provas que comprovassem essa versão.

Integrantes das legendas afirmam que esperavam uma manifestação pública de apoio de Flávio Bolsonaro sobre o episódio, o que não aconteceu.

Além desses episódios, os presidentes dos partidos receberam, desde o início do ano, pedidos de filiados para que a federação mantivesse neutralidade na disputa presidencial. O principal argumento é regional: deputados, especialmente do Nordeste, avaliam que um apoio formal a Flávio poderia prejudicar candidaturas locais em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte apoio eleitoral.

Apesar da decisão de não embarcar nacionalmente na campanha de Flávio Bolsonaro, o Progressistas pretende liberar seus diretórios estaduais para definir os apoios locais.

Disputa ao Senado

O Progressistas em São Paulo vai apoiar Flávio. Integrantes do PP avaliam que o apoio ao bolsonarista é importante para fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado.

Na avaliação de dirigentes da legenda, enquanto o pré-candidato do PL ao Senado em São Paulo, André do Prado, conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caberia a Flávio concentrar esforços para impulsionar a candidatura de Derrite.

Em 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado — o equivalente a dois terços da Casa. Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerá dois senadores para mandatos de oito anos.

Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (6) mostra Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (PSB) tecnicamente empatadas na disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo, com 18% e 16% das intenções de voto, respectivamente. Marina também aparece em empate técnico com Ricardo Salles (Novo), que tem 13%.

Na sequência aparecem André do Prado (PL), com 11% das intenções de voto, e Guilherme Derrite (PP), com 10%.

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/10/pp-uniao-brasil-flavio-bolsonaro.ghtml