Justiça aceita denúncia e ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por rachadinha na Câmara de Vereadores do Rio

MPRJ reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha

Jorge Luiz Fernandes e Carlos Bolsonaro — Foto: Reprodução e Reuters

Por Marcelo Gomes, Marcelo Bruzzi, GloboNews - 19/06/2026 

Jorge Luiz Fernandes e outros seis ex-assessores do vereador vão responder pelos crimes de organização criminosa e peculato. Segundo investigação, servidores repassavam parte dos salários ao então chefe de gabinete.

A Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público contra Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio, e outros seis ex-assessores por envolvimento num esquema de rachadinha.

Com isso, os ex-assessores viraram réus pelos crimes de organização criminosa e peculato, que é o desvio de dinheiro público.

Em sua decisão, o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, destacou que "a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro" e que "a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada".

O ex-vereador não está na lista dos denunciados.

MPRJ reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha

O documento aponta que Jorge Luiz Fernandes seria o "líder e mentor da organização". Ele foi nomeado em 2001 e partir de 2018 assumiu a função de chefe de gabinete.

A decisão afirma que Jorge era "amigo da família Bolsonaro" e "articulou a nomeação dos demais denunciados".

A Justiça aponta que "cada um dos assessores, após receber seus salários, realizava transferências e saques em benefício de Jorge.

Entre os acusados que viraram réus, está a mulher do ex-chefe de gabinete: Regina Célia foi nomeada em 2005 e, segundo as investigações, repassou mais de R$ 800 mil para a conta do marido.

Outra assessora, Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, é acusada de ter movimentado cerca de R$ 650 mil, entre saques e transferências para Jorge. É a segunda maior quantia.

De acordo com a denúncia, o esquema ocorreu entre junho de 2005 e dezembro de 2021 no gabinete de Carlos Bolsonaro - ou seja, desde o primeiro mandato do vereador na Câmara do Rio.

Segundo o MP, os seis servidores denunciados repassaram R$ 1,9 milhão ao chefe de gabinete, Jorge Fernandes.

A Justiça determinou um prazo de 10 dias para os acusados apresentarem a defesa por escrito. Depois de analisar as explicações de cada um dos sete réus, o juiz vai marcar as datas para os depoimentos das testemunhas.

A denúncia contra os ex-assessores de Carlos Bolsonaro, agora aceita pela Justiça, foi apresentada em setembro de 2024.

Na época, o Ministério Público decidiu arquivar a apuração contra o vereador, que também era investigado.

O promotor Alexandre Murilo Graça, responsável pelo caso, alegou que depoimentos, relatórios e laudos não indicaram a circulação de valores ou pagamentos para Carlos Bolsonaro.

No início de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordou dos argumentos apresentados pelo promotor. Concluiu que a investigação tinha omissões e contradições, e enviou o caso para análise da Procuradoria-Geral de Justiça.

Em março deste ano, o Ministério Público do Rio resolveu reabrir o caso contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro pela suspeita da rachadinha. Essa investigação ainda está em andamento.

O que dizem os citados

A GloboNews entrou em contato com todos os citados, mas não houve resposta.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/19/justica-aceita-denuncia-e-ex-chefe-de-gabinete-de-carlos-bolsonaro-vira-reu-por-rachadinha-na-camara-de-vereadores-do-rio.ghtml