Perda de peso, inchaço nos olhos e caroços no pescoço foram tratados como episódios isolados antes de Maisy Peixoto receber confirmação do câncer
Por Marcella Centofanti, em colaboração para Marie Claire — de São Paulo (SP) - 27/01/2026
Estudante revela descoberta de linfoma — Foto: Arquivo pessoal
Ao longo de 2024, a estudante Maisy Peixoto, de Esperança (PB), passou a ter grandes oscilações de peso. Em duas semanas, perdia cinco quilos e, em outra, chegava a emagrecer oito. Na mesma velocidade, ela recuperava tudo. Com a rotina corrida entre a faculdade de odontologia e os treinos frequentes na academia, a estudante acreditou que estava comendo pouco.
O tempo passou e, em um dia de maio de 2025, Peixoto acordou com os olhos inchados. Usuária de lente de contato, ela procurou uma oftalmologista com medo de ter contraído alguma bactéria. A médica diagnosticou uma inflamação no gânglio e prescreveu uma pomada, que resolveu o problema.
Três meses depois, mais um sinal — aparentemente desconectado dos outros — apareceu. Ao se maquiar, a estudante percebeu uma bolinha no pescoço. Por recomendação de um professor, fez dois ciclos de anti-inflamatório, sem melhora. “Eu deixei quieto”, relembra.
Em setembro, enquanto Peixoto atendia uma paciente, seu professor notou que não se tratava de um único nódulo. O pescoço da aluna estava cheio de carocinhos visíveis a olho nu. A pedido do docente, a estudante interrompeu o atendimento e foi fazer uma ultrassonografia.
O diagnóstico do linfoma
O exame revelou uma cadeia extensa de gânglios aumentados. O médico que realizou a ultrassonografia recomendou que ela procurasse um especialista. Peixoto foi então a um cirurgião de cabeça e pescoço, que solicitou testes de sangue e uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF).
As amostras do sangue indicaram inflamação no organismo, e a PAAF, linfadenite granulomatosa. “O médico se assustou um pouco, mas disse que era muito raro de ser um linfoma”, conta ela. Mesmo assim, a pacientes decidiu buscar outra opinião. Fez uma biópsia e, em dezembro de 2025, recebeu o diagnóstico: linfoma de Hodgkin.
Peixoto cursa disciplinas ligadas à área de cabeça e pescoço e estava estudando câncer naquele período. “Quando eu comecei a associar os meus sintomas, a minha mente entrou em alerta”, conta. O linfoma foi classificado como estágio 2, com acometimento no pescoço, clavícula e tórax.
A estudante começará o tratamento nesta semana, com dois ciclos de quimioterapia seguidos de 25 sessões de radioterapia. Ela diz estar tranquila: “Na minha graduação inteira eu escutei o professor dizendo que o tratamento era 90% da nossa mente e 10% do remédio.” Católica, ela afirma se apoiar na fé. “O que está acontecendo tem um propósito muito grande. Eu não tenho medo”, garante.
O que pode atrasar o diagnóstico
O linfoma pode atingir pessoas de qualquer idade, mas é mais comum após os 60 anos. Embora a maioria dos linfomas comece nos gânglios linfáticos, a maior parte dos gânglios aumentados não é câncer, mas resposta a infecções.
O sinal de alerta está na persistência. “Nos linfomas, esses gânglios não desaparecem e podem continuar crescendo após duas a três semanas. Além disso, costumam ser indolores, não ficam quentes e não apresentam secreção. Apesar de a maioria das situações ser benigna, é importante não ignorar sinais que não melhoram”, afirma a hematologista Daniele Leão, pesquisadora clínica da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Outro grupo importante de manifestações são os chamados sintomas B, como febre baixa recorrente, perda de peso significativa e sudorese noturna intensa. “Esses sinais muitas vezes são confundidos com dieta, estresse, climatério ou infecções comuns, o que pode atrasar a investigação”, diz a médica.
O diagnóstico precoce faz diferença. “Quanto mais cedo é detectado, menor costuma ser a quantidade de doença no organismo”, aponta Leão. O exame fundamental para confirmação é a biópsia, com análise anatomopatológica e imunohistoquímica, que define o tipo exato do linfoma e orienta o tratamento.
https://revistamarieclaire.globo.com/saude/noticia/2026/01/estudante-e-diagnosticada-com-linfoma-aos-20-anos-ignorei-os-sinais-do-meu-corpo.ghtml