Restos mortais de crianças são encontrados em terreno de abrigo para mães e bebês na Irlanda; total já chega a 109

O total já chega a 109 corpos de crianças não identificadas.

Escavações já revelaram corpos de 109 crianças rejeitadas pela sociedade irlandesa, enterradas sem identificação; número total pode ser de quase 800 — Foto: Divulgação/Odait

A instituição desativada operou de 1925 a 1961 e recebia mães solos e seus filhos, mas crianças centenas de crianças foram enterradas ali sem registro

Por O GLOBO — São Paulo - 03/10/2026 

Novos corpos de crianças foram encontrados no terreno de um abrigo para mães solo e seus bebês em Tuam, no Condado de Galway, na Irlanda. A informação foi divulgada nesta sexta (2) pela rede britânica BBC.

A equipe que escava a antiga instituição, St. Mary's Children Home, encontrou mais 10 corpos, que se somam a outras dezenas localizadas desde que os trabalhos começaram no local em julho de 2025. O total já chega a 109 corpos de crianças não identificadas.

O número de mortos pode ser muito maior: em 2014, a pesquisadora local Catherine Corless transformou o abrigo em notícia no mundo todo depois de descobrir 796 atestados de óbito de crianças pequenas e bebês que viveram na instituição — mas nunca tiveram registro de enterro.

As 10 novas crianças foram localizadas em uma nova etapa de escavações encerrada na quarta (30), e que durou 11 semanas. Elas foram descobertas em uma área no sudoeste da instituição, que operou de 1925 a 1961, ainda segundo a BBC.

Todos os corpos encontrados até o momento estavam em caixões, mas não existia nenhuma indicação de que eles existiam. Os trabalhos de recuperação das crianças, que continua agora em nova etapa, são coordenados pelo Escritório do Diretor de Intervenção Autorizada de Tuam (Odait).

O Odait também trabalha para coletar amostras de DNA de parentes dos possíveis internos para ajudar a identificar os corpos encontrados. Nesta etapa mais recente, 12 amostras foram coletadas, chegando a um total de 74.

A identificação caminha lentamente porque a legislação ainda passa por modificações na Irlanda para permitir que primos de primeiro grau possam fornecer amostras de seu DNA para a comparação. O Odait espera que a nova lei seja publicada em Diário Oficial nos próximos dias.

Pesquisadores que escavam o abrigo também têm encontrado artefatos históricos como botões de roupas e uma trava de metal de uma janela.

As escavações totais ainda não foram iniciadas na área do jardim memorial, onde foram encontradas "quantidades significativas" de restos morais em câmeras subterrâneas em 2017.

O abrigo de Tuam era de propriedade do Conselho do Condado de Galway e gerenciado por uma ordem religiosa, as Irmãs de Bon Secours, que já reconheceu que as crianças "foram enterradas em uma maneira desrespeitosa e inaceitável" e pediu desculpas através de uma contribuição de £ 2,14 milhões (R$ 14,77 milhões) para cobrir os custos da escavação.

O Conselho do Condado de Galway também se desculpou publicamente por "falhar com mães e crianças" em 2021. A instituição histórica recebia mulheres e crianças rejeitadas pela sociedade, cujos filhos eram uma "vergonha" — frutos de sexo fora do casamento.

Uma reportagem especial da BBC revelou em 2025 que 3.349 crianças viveram no abrigo de Tuam em sua história. Um ex-interno, PJ Haverty, que morou ali seus primeiros seis anos de vida se disse um "sobrevivente" à emissora. "Um lar é um lugar onde há amor e cuidado. Nós estávamos apenas trancados lá. Eu chamo de prisão", relembrou.

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/10/03/restos-mortais-de-criancas-sao-encontrados-em-terreno-de-abrigo-para-maes-e-bebes-na-irlanda-total-ja-chega-a-109.ghtml