Flávia Alessandra detalha papel em 'Quem Ama Cuida' e defende quebra de tabus sobre menopausa: 'É um assunto que precisamos dominar'

Flávia Alessandra tem duas filhas: Giulia e Olívia, caçula que é fruto do casamento com Otaviano Costa

Flávia Alessandra está no elenco da nova trama das 21h da TV Globo: 'Quem ama cuida' — Foto: Felipe Censi/Divulgação

Por Luísa Giraldo - 14/06/2026 

Flávia Alessandra teve apenas uma semana de intervalo entre o fim de “Êta Mundo Melhor!” e o início dos trabalhos de “Quem Ama Cuida”, atual trama das 21h da TV Globo. Os dias de folga serviram para uma espécie de despedida espiritual da maléfica Sandra, que logo deu lugar à recepção calorosa da nova personagem, Fábia, relembra a atriz. Aos 52 anos, ela celebra a leveza da nova fase na TV e define o papel como uma loucura deliciosa, um reabastecimento necessário de energia.

A rapidez na transição dos projetos foi compensada pela distância temática. O que a vilã anterior carregava de carga pesada e soturna, Fábia devolve em astral e eloquência. Flávia rejeita o rótulo de caricata, embora reconheça que a personagem caminhe por uma linha tênue, fora da caixinha e com fortes pitadas latinas:

— Ela é a gangorra de todo o lado denso que tem a novela e a trama em si. Estou do outro lado desta gangorra. A Fábia é um ponto bem colorido nesta pintura, mas, dentro deste universo, ela tem o seu lado sombrio, que aos pouquinhos vai sendo contado e revelado. De início, o que tenho para oferecer é isso, mas ela tem camadas muito mais profundas.

A personagem é uma mulher acostumada a um alto padrão de vida e que pouco se interessa pela origem do dinheiro do marido, Ulisses (Alexandre Borges). Envolvido com jogos de azar, ele sempre foi socorrido financeiramente pelo irmão, Arthur (Antonio Fagundes). Contudo, com o assassinato misterioso do milionário, o casal sofrerá um baque no padrão de vida.

Ela fala sobre a parceria com Pietro Antonelli, que interpreta seu filho:

— Tem sido delicioso. O Pietro é um menino muito talentoso, atento e sagaz quando estamos em cena. Mas ele também vem de dois DNAs maravilhosos, né? (o ator é filho de Giovanna Antonelli e Murilo Benício). Então, não podia ser diferente. É o louco da nossa profissão: a gente se conhece em um dia e, no outro, “oi, muito prazer, serei sua mãe, vamos criar uma intimidade de 20 anos”. Fizemos encontros lá em casa antes, leituras e brincadeiras para tentar trazer essa vivência da novela um pouco para a nossa vida.

Se a troca de personagens demandou agilidade, o amadurecimento real é encarado por Flávia Alessandra com o mesmo pragmatismo. Em 2025, a atriz se tornou uma voz pública ativa sobre a desconstrução dos tabus sobre envelhecimento feminino e menopausa:

Flávia Alessandra tem duas filhas: Giulia e Olívia, caçula que é fruto do casamento com Otaviano Costa — Foto: Reprodução/Instagram

— Certamente, as mulheres de hoje vão entrar na menopausa de uma forma não tão agressiva como foi com a minha geração. São assuntos que estamos trazendo à tona e debatendo. A nossa expectativa de vida hoje é outra. A real é que vamos viver na menopausa por metade da nossa vida. A mulher cresce e só fica sabendo da menstruação e de como evitar a gravidez. Não falamos sobre prazer feminino, menopausa ou desafios gestacionais. Felizmente, estamos colocando abaixo uma série de tabus.

Flávia reforça que o foco central da discussão deve ser o direito ao bem-estar e à saúde física nessa nova etapa da vida. Porém, reflete sobre os desafios enfrentados pelo corpo da mulher madura:

— Não é sobre querer voltar no tempo ou ficar novinha de novo. Queremos ter qualidade de vida com o nosso envelhecimento e tudo o que ele pode oferecer: o corpo em dia para aguentar o processo, com a melhor poupança que podemos ter, os músculos, e com toda a sabedoria que adquirimos até aqui. Estou sendo mais gentil comigo mesma, mas não tive este esclarecimento quando estava entrando na perimenopausa. Uma insônia me abateu, achei estranho. Se eu, uma mulher com acesso a tantas coisas e aos melhores médicos e exames, fui pega de surpresa, imagine a grande população em massa. É um assunto que precisamos dominar.

Essa postura, ela destaca, pauta a educação das filhas dentro de casa. O diálogo aberto serve como ferramenta de proteção contra constrangimentos e perigos que cercam as mulheres em ambientes sociais. Flávia é direta ao orientar a caçula, Olívia, a externalizar qualquer desconforto em locais públicos, sem medo de julgamentos de terceiros:

— Sempre tivemos uma conversa bem franca e transparente. A Olívia parece um mulherão, porque tem 1,80m, mas é uma meninona. Então, conversamos muito. “Se em algum lugar passar alguém e você sentir que está diferente com você ou qualquer coisa, fale, grite e chame a atenção. Prefiro que você se passe por louca do que se sentir constrangida em qualquer situação”. Em festa, digo para não beber. “Se pegar um refrigerante, fique com ele na mão”. Falo sobre tudo o que a gente sabe que uma mulher pode vir a passar, e como a gente pode se proteger. 

Olívia é fruto do casamento com Otaviano Costa, com quem tem um relacionamento há quase duas décadas. Quando os dois se conheceram, a atriz já tinha Giulia, do relacionamento com Marcos Paulo. Flávia elenca os aspectos mais importantes para fazer o romance durar tantos anos:

— Vivo relações muito verdadeiras, muito “pé no chão”. Não sei qual é a fórmula ou o segredo, vamos descobrindo no dia a dia mesmo, mas certamente na base da confiança, admiração mútua e do bom humor. Brincamos que foi humor à primeira vista, e muito na base da admiração mútua. Admirá-lo como profissional, pessoa, homem e pai. Quando deixa de existir este elemento, começa a ficar capenga em algum lugar.

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