Homem se diz pai biológico de mais de 180 crianças no mundo — Foto: Reprodução / Instagram
Por Joziane Barbosa 25/04/2026
Robert Charles Albon, um americano que se autodenomina "Joe Donor", e que atua como doador não regulamentado de sêmen há mais de uma década, perdeu uma ação judicial para ser reconhecido como pai na certidão de nascimento de uma criança de 4 anos gerada com o seu esperma.
O juiz Andrew McFarlance, de tribunal no Reino Unido, negou o pedido de declaração de paternidade pois, segundo ele, a doação de sêmen feita por Robert é ilegal, uma vez que não é feita por uma clínica licenciada. Ele costuma oferecer o seu material genético pelo Facebook e pelo Instagram.
A mãe da criança pagou 100 libras (R$ 670) em dinheiro a Robert, como adiantamento, e após receber o esperma, deu ao americano um cartão-presente no valor de 150 libras (cerca de R$ 1 mil) da Amazon.
Em 2021, quando a criança nasceu, a mãe tinha um relacionamento com um homem transgênero — com quem ela não tem mais contato — cujo nome consta da certidão de nascimento da criança como pai.
O casal nunca quis que Robert desempenhasse nenhuma função na vida da criança. Entretanto, em outubro de 2025, Robert entrou com o pedido judicial para ser declarado como pai.
Como argumento, Robert, que é adotado, afirmou que deseja proteger o seu filho biológico e impedir que a criança viva a sensação de "identidade corroída", situação que ele mesmo passou ao não saber quem são seus pais biológicos. No entanto, a justificativa não foi aceita pelo juiz.
Na decisão, o magistrado afirmou que Robert estava querendo "se afirmar como um pai ativo", o que ele já havia feito em outro caso.
“Aceito que, se uma declaração fosse feita, a mãe nunca saberia quando, ou se, o Sr. Albon poderia reaparecer, e isso seria perturbador para ela”, disse o juiz, segundo o jornal "The Guardian".
Esta não é a primeira vez que Robert tenta ser reconhecido como pai de uma criança gerada por meio de suas doações. Em 2023, outro juiz também determinou que o nome de Robert não aparecesse na certidão de uma outra criança. Dois anos depois, em 2025, um pedido de guarda de duas crianças foi rejeitado. E, segundo "The Guardian", num caso de busca de reconhecimento hereditário, Robert recebeu a declaração de paternidade depois de ter tido relações sexuais com a mãe da criança para doar seu esperma, mas nunca conheceu os filhos que gerou.
Em algumas audiências judiciais, Robert foi acusado de ter como alvo mulheres vulneráveis e foi descrito por juízes de varas da família como alguém que não só "carece de empatia", mas também "busca controlar os outros".
(*) Estagiária sob supervisão de Fernando Moreira.
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