Duque poderá prestar depoimento na Câmara, diz presidente da CPI

Deputado Hugo Motta informou que presidente da Casa autorizou oitiva.

Regra interna impede que detentos prestem depoimentos na Câmara. Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília Duque foi preso pela PF na última segunda (16). (Foto: Cassiano Rosário//Estadão Conteúdo) O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), informou nesta quarta-feira (18) que o presidente da Câmara,Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspendeu, excepcionalmente, decisão que impede que pessoas presas prestem depoimento dentro das dependências da Casa. A medida possibilitará que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso pela Polícia Federal (PF), seja ouvido pelos integrantes da CPI nesta quinta-feira (19). Suspeito de receber propina no esquema de corrupção que atuava na Petrobras, Duque foi convocado para falar à comissão antes de ser detido pela segunda vez pela PF na última segunda-feira (16). Nesta terça (17), o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, autorizou que a CPI da Petrobras ouça o ex-diretor de Serviços. Em razão de uma regra da Câmara que impede os depoimentos de presos na Casa, ele seria ouvido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão de Cunha foi divulgada na página pessoal de Hugo Motta no Facebook. Na rede social, o deputado do PMDB afirmou que havia feito o pedido ao presidente da Câmara para liberar a oitiva na Casa. “Agradecemos a atenção do presidente da Casa, pois sabemos que isso colabora com o bom funcionamento da CPI, que terá maior autonomia e transparência na condução dos trabalhos”, escreveu Motta no Facebook. A regra que veta os depoimentos de detentos na Câmara foi instituída em 2006, após o funcionamento da CPI do Tráfico de Armas. À época, traficantes considerados perigosos, como o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Camacho, o "Marcola", chegaram a ser ouvidos pelos deputados na Casa. Diante do risco à integridade física dos parlamentares e servidores, além do alto custo de traslado e custódia dos presos, a direção da Câmara decidiu proibir o depoimento de detentos nas dependências da casa legislativa.