'Só saíram de cima porque o sino tocou', diz mãe de adolescente que denunciou estupro coletivo dentro de escola

A Polícia Civil investiga a denúncia de estupros coletivos dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife

Mãe denuncia que filha foi estuprada dentro de sala de aula no Grande Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo relatos, estudantes foram abordadas por cinco alunos dentro de sala de aula, durante intervalo escolar. Casos são investigados pela Polícia Civil.

Por Mario Carvalho, TV Globo - 07/08/2026 

• A Polícia Civil investiga a denúncia de estupro coletivo contra duas estudantes dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife.

• Conforme os relatos, abusos foram praticados por cinco alunos enquanto as vítimas estavam sozinhas na sala de aula, durante o intervalo escolar, em dias diferentes.

• As vítimas registraram boletim de ocorrência na 14ª Delegacia da Mulher e não frequentam as aulas desde terça-feira (4).

• Os estudantes apontados foram suspensos. Prefeitura abriu procedimento administrativo para apurar conduta dos profissionais da unidade.

Mães denunciam que filhas sofreram estupro coletivo em escola no Cabo de Santo Agostinho

A Polícia Civil investiga a denúncia de estupros coletivos dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. À TV Globo, as mães das duas vítimas que relataram o caso falaram sobre as agressões que as jovens sofreram (veja vídeo acima). Segundo os relatos, os abusos foram praticados por cinco alunos que abordaram as estudantes enquanto elas estavam sozinhas na sala de aula, durante o intervalo escolar, em dias diferentes.

"Começaram a dar murro nas costas dela e ameaçando o tempo todo, tentando tirar a roupa dela. Só não conseguiram tirar a roupa dela porque a calça era muito apertada. Os meninos só saíram de cima dela porque o sino tocou na escola, para poder retornar à sala", disse a mãe de uma delas.

Os dois abusos aconteceram com um mês de diferença, sendo o primeiro em julho e o mais recente, na segunda-feira (3). Os nomes das estudantes, das mães delas e da escola não serão divulgados nesta reportagem para preservar a identidade das vítimas, em conformidade com o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

"É um sentimento muito doloroso. Porque onde era para ter segurança dos nossos filhos, dentro de uma escola, não tem. A pergunta que não quer calar: onde é que estavam os gestores que ninguém viu, dentro da sala de aula, esse ocorrido?", afirmou.

A mãe da outra estudante disse que a filha está muita abalada. "[Tenho] muita revolta, porque a minha filha hoje está com muito medo. Não está comendo, não está dormindo. Está muito assustada", disse.

A advogada das vítimas, Luanny Porto, disse que os cinco alunos que praticaram os abusos são do 9º ano, mesma série das estudantes. De acordo com ela, uma das estudantes relatou a agressão à direção da escola, logo após o ocorrido, mas nenhuma providência foi tomada.

Em nota, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho disse que "não houve omissão por parte da escola" e que "todas as medidas administrativas, pedagógicas e legais continuarão sendo adotadas para assegurar a proteção dos estudantes e o pleno esclarecimento dos fatos".

A gestão municipal afirmou, ainda, que abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta dos profissionais da escola.

Dois casos na mesma escola

Segundo a advogada Luanny Porto, a primeira vítima só contou o que tinha acontecido quando a colega de turma denunciou o caso. Para ela, as ocorrências devem ser tratadas como estupros coletivos. Ambas as denúncias são investigadas pela 14° Delegacia da Mulher, no bairro de Pontezinha.

"[Foi] estupro coletivo, pois aconteceu com mais de um agente. Já registramos um boletim de ocorrência, encaminhamos as vítimas para o IML (Instituto de Medicina Legal) para fazer o exame sexológico", informou.

O Conselho Tutelar foi acionado para o caso e, desde terça-feira (4), as jovens não frequentam as aulas. Além disso, a defesa das vítimas informou que as estudantes e suas mães serão encaminhadas para acompanhamento psicológico .

"Pelo que eu fui informada, os alunos foram suspensos, não houve expulsão. Eles foram suspensos e as mães providenciaram a transferência das vítimas, porque elas não se sentem mais seguras. Ainda que os meninos não estejam lá, elas continuam na escola", declarou.

https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/08/07/relato-mae-de-adolescente-estupro-coletivo-escola-cabo.ghtml