Declarações aconteceram enquanto guerra do Irã entrou em seu segundo mês. Pontífice chamou o conflito de 'atroz'.
Por Reuters - 29/03/2026
Papa Leão XIV lidera a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico no Vaticano — Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane/Foto de arquivo
O Papa Leão XIV disse neste domingo (29) que Deus rejeita as orações de líderes que promovem guerras e que eles têm "mãos cheias de sangue". As declarações aconteceram enquanto a guerra do Irã entrou em seu segundo mês.
Dirigindo-se a dezenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro no Domingo de Ramos, a celebração que abre a Semana Santa que antecede a Páscoa para os 1,4 bilhão de católicos do mundo, o pontífice chamou o conflito de "atroz" e disse que Jesus não pode ser usado para justificar quaisquer guerras.
"Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra", disse Leão.
"(Jesus) não ouve as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: 'Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue'", disse ele, citando uma passagem bíblica.
Leão não nomeou especificamente nenhum líder mundial, mas tem intensificado as críticas à guerra do Irã nas últimas semanas.
Durante um apelo ao final da celebração de domingo, o papa lamentou que os cristãos no Oriente Médio "estejam sofrendo as consequências de um conflito atroz" e possam não conseguir celebrar a Páscoa.
O papa, que é conhecido por escolher suas palavras com cuidado, tem pedido repetidamente um cessar-fogo imediato no conflito e disse na segunda-feira que os ataques aéreos militares são indiscriminados e devem ser proibidos.
Algumas autoridades dos EUA invocaram a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que deram início à guerra em expansão.
O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que começou a liderar serviços de oração cristã no Pentágono, rezou em um culto na quarta-feira por "violência de ação avassaladora contra aqueles que não merecem misericórdia".
Em sua homilia no domingo, Leão referenciou uma passagem bíblica na qual Jesus, prestes a ser preso antes de sua crucificação, repreendeu um de seus seguidores por golpear com uma espada a pessoa que o prendia.
"(Jesus) não se armou, nem se defendeu, nem lutou qualquer guerra", disse Leão. "Ele revelou o rosto gentil de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de salvar a si mesmo, ele permitiu ser pregado na cruz."
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