Suposta fraude em programa na PB tinha mais de 60 inscritos, diz polícia
Cinco pessoas foram presas em Campina Grande, na quinta-feira (6).
O esquema de suposta fraude em programas de habitação na Paraíba descoberto na quinta-feira (6) já tinha 63 inscritos, segundo informou o delegado seccional de Campina Grande, Iasley Almeida, durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (7). Cinco pessoas foram presas suspeitas de tentar fraudar o processo de distribuição de moradias da Companhia Estadual de Habitação Poupular (Cehap), em Campina Grande. De acordo com a polícia, o grupo cobrava R$ 3 mil pelas casas, que deveriam ser distribuídas gratuitamente para pessoas cadastradas nos programas habitacionais.
Das 63 pessoas que já tinham sido contatadas pelo grupo, oito já tinham efetuado o pagamento e 14 já foram ouvidas. O delegado não soube informar se elas vão ser responsabilizadas por tentar “furar fila” para conseguir a casa ou se vão ser apenas tratadas como vítimas. "A polícia ainda fará uma investigação para descobrir até que ponto estas pessoas sabiam ou não da fraude", disse.
A prisão do grupo aconteceu durante uma operação da Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defraudações, que foi realizada após denúncias anônimas. Os policiais se infiltraram durante uma reunião no bairro do Alto Branco em que os interessados iam assinar os documentos e efetuar o pagamento. Quando constataram o crime, realizaram a prisão em flagrante. Segundo o delegado, o grupo será indiciado por formação de quadrilha e estelionato.
Iasley Almeida explicou que a quadrilha descobria quem estava na fila dos programas estaduais e federais de habitação e oferecia a oportunidade de ser adiantado na fila mediante pagamento de R$ 3 mil. "Dois homens que foram presos atuavam procurando pessoas inscritas nos programas e as três mulheres presas agenciavam estas pessoas e apresentavam o serviço, ficando também responsáveis por acertar as papeladas a serem assinadas", disse Iasley.
A polícia agora vai investigar se de fato havia um beneficiamento, ou seja, se havia alguém na Cehap envolvida no esquema e os imóveis seriam entregues, ou se era tudo inventado para enganar as possíveis vítimas com a promessa do benefício. Com os suspeitos, foram apreendidos vários celulares e documentos em papéis timbrados da Cehap. A polícia ainda vai identificar se os documentos são falsos.
"Outro passo da investigação é saber se o golpe também era aplicado em outras cidades da Paraíba e se há a participação de outras pessoas no esquema", disse o delegado. As cinco pessoas que foram presas estão na carceragem da Polícia Civil mas devem ser transferidos para presídios ainda nesta sexta-feira. Segundo Iasley Almeida, nenhuma delas é funcionária da Cehap.
Ainda na noite da quinta-feira, os advogados da companhia informaram à polícia que não há previsão de entrega de casas este ano em Campina Grande e que não está sendo feito nenhum tipo de cadastramento de novas residências atualmente. A polícia está apurando a situação e a Cehap tem colaborado com a investigação. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos negaram envolvimento com a suposta fraude.
Tentativa de compra
Antes da prisão acontecer, um produtor da TV Paraíba se encontrou com uma das suspeitas e disse estar interessado em comprar uma residência para uma prima. Sem saber que estava sendo filmada, uma das suspeitas deu detalhes de como seria o negócio:
Produtor: E o pagamento?
Suspeita: Aí você, no caso, procura Ana Lígia, viu?
Produtor: Só se for aprovado, né?
Suspeita: Não, isso aqui não tem como não ser aprovado não. A não ser que ela tenha algum imóvel no nome dela.
Suspeita: É sigiloso. Isso aqui é um negócio que a gente tá fazendo, uma oportunidade que muita gente precisa, que não tem casa para morar, paga aluguel… Isso tudinho. E fica tudinho lá no malote guardado. Então deste jeito a gente vai e dá um jeito. Por segundas, terceiras e quartas pessoas, e faz.
Em outra gravação, o produtor conversou com uma segunda suspeita, que admitiu que a negociação é ilegal:
Suspeita: Mas tu sabe que isso não pode comentar com ninguém, né? Senão a gente perde, viu?
Produtor: Como assim?
Suspeita: Isso não é certo, né? Eles estão vendendo o que é para ser dado, né?
Produtor: Quem está vendendo? No caso ela, né? (se referindo a uma outra suspeita)
Suspeita: Não, ela não. Uma pessoa lá dentro.
Produtor: Na Cehap?
Suspeita: Porque assim. Se você tiver inscrição, não faz não. É pra não comentar porque se vazar uma denúncia, o dinheiro que você pagou, já perde.
Produtor: Agora não tem o risco da gente comprar e…?
Suspeita: Não, o risco que tem é você fazer algum comentário, vamos supor, com alguém que denuncie a gente.
Do G1 PB



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