Homem é morto e padre faz missa ao redor do corpo em rodovia de Vitória

Fiéis comungaram diante do corpo e concordaram com a atitude do padre.

Um homem, de 25 anos, foi encontrado morto a tiros no início da manhã deste domingo (13), na Rodovia Serafim Derenzi em frente a uma igreja evangélica no bairro São Pedro, em Vitória. O padre Kelder Brandão, que caminhava com fiéis da igreja católica pelas ruas do bairro na Procissão de Ramos, decidiu parar e celebrou a missa ao redor do corpo.

Os membros da igreja levaram o material que seria usado na missa para o meio da rua, e um altar improvisado foi montado em frente ao corpo, coberto por um lençol. Cerca de 70 pessoas, entre fiéis e curiosos, formaram um círculo em volta da vítima. Enquanto alguns tocavam violão, outros cantavam músicas de adoração.

O padre Kélder Brandão disse que realização da missa no local foi uma forma de protestar. “No período da procissão uma pessoa foi assassinada e achamos por bem realizar a missa aqui, onde aconteceu o homicídio, porque não podemos ficar indiferentes a esta situação. Começamos hoje a Semana Santa, em que nos reportamos a Paixão de Cristo, que foi vítima de violência em seu tempo. Quando um jovem, um ser humano, tomba em nossas ruas é essa memória que devemos atualizar”, explicou.

O padre relatou que os fiéis ficaram assombrados com a cena, mas foi uma forma usada para chamar a atenção das autoridades sobre a violência na região de São Pedro. 

É uma situação que precisa de uma resposta imediata, não da para ser a médio e longo prazo"

Kélder Brandão, padre

“A gente se depara com a ausência do poder público. O povo começa a querer praticar a justiça e estabelecer a segurança pública a partir de si próprio, isso não pode acontecer em um estado democrático de direito. A gente clama para o poder público reassumir o seu protagonismo de trabalhar eficazmente na segurança pública da nossa população. É muito triste ver nosso membros, ou filhos deles, morrendo desta forma. É uma situação que precisa de uma resposta imediata, não dáa para ser a médio e longo prazo”, disse o padre Kelder Brandão.

Cansados de tanta insegurança, os fiéis, que comungaram diante do corpo, concordaram com a atitude do padre. “As autoridade precisam olhar para a gente de São Pedro. O governo tem que estar em cima, porque o negócio não está bonito não. Essa situação é muito triste e ficamos chocados com o que aconteceu”, relatou a diarista Benedita Ferreira.

Morte
O rapaz assassinado se chamava Sérgio Rodrigues dos Santos. Ninguém soube dizer à polícia como tudo aconteceu. Algumas testemunhas contaram que pouco antes, ele bebia em um bar próximo. A perícia esteve no local, mas nada foi confirmado.

O pai da vítima, o aposentado Arnaldo Rodrigues dos Santos, disse que Sérgio trabalhava como ajudante de pedreiro e que a missa em torno do corpo trouxe alívio. “Eu não tenho palavras, estou muito sentido com o que aconteceu. Ele era um filho bom, carinhoso e companheiro. Quando ele estava parado, eu sempre arrumava serviço. Fiquei mais consolado com essa missa”, desabafou o pai, que disse desconhecer envolvimento do filho com drogas.

Polícia
O comandante 1º Batalhão de Vitória e responsável pela região de São Pedro, tenente-coronel Wildelson do Nascimento, disse que em um primeiro momento, o homicídio não tem relação com briga de gangues e tráfico de drogas, segundo ele, essas ocorrências são comuns na região onde o crime aconteceu.

O tenente-coronel disse que a vítima estava em um bar que não tem alvará de funcionamento. “No caso deste sábado, o fato é isolado, fruto de um desentendimento de pessoas que permaneceram a noite inteira em um bar que funciona 24 horas. O estabelecimento não tem alvará de funcionamento e foi alvo de fiscalização da Polícia Militar, prefeitura de Vitória e Corpo de Bombeiros na última sexta-feira (11). O bar foi notificado, mas a legislação, só em situações extremas, permite o fechamento imediato de algum local. O bar logo depois da nossa ida voltou a funcionar”, explicou Nascimento.

Wildelson do Nascimento disse ainda que o local é considerado problemático e têm ocorrências de brigas. Ele informou que vai monitorar o bar neste domingo. “Não estamos fugindo da responsabilidade, do nosso trabalho público, mas não temos como estar o tempo todo dentro de cada casa e de cada bar, não podemos controlar as brigas”, disse o tenente-coronel.

De acordo o Nascimento, a região foi contemplada no mês de março com a patrulha da comunidade, com 16 policiais atuando em quatro carros da polícia.

Igreja Católica
A arquidiocese foi procurada pelo G1 para falar sobre a iniciativa do padre Kélder Brandão, mas informou que, por causa de outros compromissos, o arcebispo Dom Luiz Mancilha só poderá se pronunciar nesta segunda-feira (14).

Do G1 ES, com informações da TV Gazeta