HISTÓRIA: Museu comunitário reúne acervo raro em Ibaretama
A coleção foi formada ao longo de 40 anos e reúne peças como machadinhas e ferro de passar na brasa
Ibaretama. Uma comunidade rural deste município acaba de ganhar um tesouro inestimável para a história do lugar. Graças a persistência e dedicação do psicopedagogo Tertuliano de Melo Neto, a localidade de Sítio Coité, no distrito de Pedra e Cal, a cerca de 20Km do Centro de Itarema, ganhou o seu próprio museu. O relicário abre suas portas pela primeira vez. Recebeu o título de "Museu Tertuliano de Melo", em homenagem ao avô, fundador da Fazenda Coité.
Conforme Tertuliano de Melo, a coleção histórica foi formada ao longo de 40 anos. As primeiras peças foram doadas por moradores da vizinhança. São machadinhas, pilões e pontaletes de pedra, muito usados por tribos. A princípio os moradores acreditavam tratar-se de acervo pré-histórico, mas ao fazer pesquisas, Tertuliano Neto, constatou tratarem-se de utensílios indígenas. Pilões e outras peças rochosas, ainda sob pesquisa, integram a relação patrimonial.
Para complementar o museu, ele reuniu outras curiosidades. A princípio seriam apenas peças indígenas, mas o outro lado histórico não poderia ser esquecido, afinal, além dos nativos, indígenas de tribos Tupis, os antecedentes colonizadores, dentre eles os europeus, também deixaram seus rastros. Ferro de passar com uso de brasa, vitrola, chaves, e até antigas bacamarte e punhais estão à mostra. "Os herdeiros do patriarca Tertuliano de Melo resolveram unir e perpetuar esses fragmentos antepassados", justificou Tertuliano Neto.
Com recursos próprios montou o mostruário e agora está catalogando peça por peça. Algumas delas, as consideradas mais preciosas por ele, já estão protegidas, dentro de mostruários vitrificados. "São urnas funerárias indígenas", garante Tertuliano Neto. Acreditando tratar-se de um valioso acervo, não revela o local onde foram encontradas. Pretende primeiro consultar universidades, faculdades e institutos especializados em antropologia e paleontologia.
Além dessas riquezas, com o apoio da família e da vizinhança, Tertuliano Neto pretende criar no entorno da Fazenda Coité, na Serra Azul, um eco-museu. O lugar possui riquíssima fauna, com periquitos cara-suja, jacu, macacos e até onça. Antigas tribos habitaram o local, ao fundo da fazenda. "O lugar é conhecido como um santuário. Nele há resquícios até da passagem de uma comunidade quilombola".
Para Francisco Chagas de Melo, o "Chico Chagas", um dos moradores mais velhos da fazenda, a iniciativa do primo é muito interessante, tanto para reaproximar a família como também para incentivar a preservação das riquezas até então desconhecidas até por ele. "Agora, é possível entender como tudo começou. Só não imaginava ter essa oportunidade praticamente na porta de casa. Ele é um dos últimos ainda a morar na fazenda. Os irmãos, os primos, a maior parte, foi para a cidade e até para a capital, Fortaleza. Tertuliano Neto foi um deles", revelou.
Além da família Melo, incluindo a nova geração, a vizinhança já pode contemplar o material exposto no museu. Estará aberto nos fins de semana. Tertuliano Neto se preocupa com a preservação e com o contrabando das peças. "Podem surgir interessados nesse tipo de tesouro. Por esse motivo os visitantes devem primeiro manter contato telefônico e agendar o dia", frisa.
Ele também trabalha pela oficialização do museu. Será mantido pela Associação Comunitária do Sítio Coité e, através dela, pretende captar recursos para catalogação, pesquisas e melhorias no espaço de exposição, preferencialmente todo protegido em mostruários de vidro.
O geólogo Ita Ventura concorda com o museólogo. Ele está auxiliando na identificação geomorfológica dos artefatos rochosos. Está articulando a criação de um convênio com a Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc). Vocacionada à formação de professores a Faculdade possui também historiadores especialistas em antropologia.
Mais informações:
Museu Tertuliano de Melo
Distrito de Pedra e Cal, a cerca de 20Km do Centro de Ibaretama
Telefone: (85) 3290.5664
Visitação agendada
No espaço é possível encontrar um pouco da história local como vitrola, chaves, utensílios e urnas funerárias indígenas. Além dessas riquezas, Tertuliano Neto pretende criar no entorno da Fazenda Coité, na Serra Azul, um eco-museu FOTO: ALEX PIMENTEL
ALEX PIMENTEL
COLABORADOR




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