Familiares de irmãos mortos em Ondina fazem protesto em frente ao TJ
Irmãos foram mortos após batida; médica está presa em Salvador.
Do G1 BA
Familiares dos irmãos Emanuel e Emanuelle, que morreram vítimas de atropelamento no dia 11 de outubro, no bairro de Ondina, em Salvador, fazem protesto em frente ao Tribunal de Justiça (TJ) da Bahia na tarde desta quinta-feira (14). Segundo informações do órgão, três desembargadores irão votar sobre a decisão do habeas corpus da médica Kátia Vargas Leal Pereira, que está presa sob a suspeita de ter atingido de forma proposital os irmãos.
A assessoria de imprensa do TJ informou ao G1 que a análise do processo acontece de forma gradual, respeitando o número de processos que passam por despacho, mas a decisão deverá sair até o fim da tarde desta quinta.
Após a desembargadora responsável ler o relatório do processo, o advogado de defesa terá a possibilidade de fazer a sustentação oral e posteriormente o habeas corpus será julgado entre os três desembargadores que participam da sessão. A decisão é dada através do voto da maioria.
A sessão acontece entre portas fechadas e só estão presentes, além dos desembargadores, os advogados das partes.
O advogado de defesa diz ainda que a médica não tinha a intenção de atingir as vítimas. Habib afirma que as mortes foram provocadas por um acidente de trânsito comum. "Não houve intenção de matar. O carro não veio e atingiu a moto por trás, com intenção. Dizer que houve intenção é muito forte. Pode ter acontecido de um ter fechado o outro. Uma testemunha diz que ele [Emanuel] tomou uma fechada involutária da médica e gesticulou. Acredito na hipótese de acidente de trânsito, que acontece todos os dias", contou o advogado ao G1.
Segundo ele, as imagens das câmeras de segurança que registraram o momento do acidente não são suficientes para concluir que houve intenção. "A filmagem não apresenta isso. Tinha uma árvore na frente, um posto e não pdoeria comprovar isso". A médica continua presa no Complexo Penitenciário da Mata Escura, na capital baiana
Protestos
Na segunda-feira (4), amigos e familiares dos irmãos Emanuel e Emanuelle realizam uma manifestação no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Segundo o grupo, o ato teve como objetivo impedir com que fosse concedido o habeas corpus da médica Kátia Alves Pereira.
"Não temos hora para sair daqui. O objetivo dessa ação é fazer com que o juiz não conceda o habeas corpus até o jugalmente e que a médica vá a juri popular", disse Maiana Guedes, prima dos irmãos, na ocasião.
No sábado (2), um grupo de amigos e familiares dos irmãos Emanuel e Emanuelle fizeram uma caminhada no bairro da Barra até o local onde ocorreu o acidente. A manifestação em lembrança dos jovens reuniu dezenas de pessoas, entre elas, a mãe das vítimas e a noiva de Emanuel.
Prisão
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), a oftalmologista está na Central Médica do Complexo Penitenciário da Mata Escura e não há previsão de alta. A Seap explica que esse procedimento é padrão para qualquer suspeito que tenha sido encaminhado de unidades médicas. A reconstituição do crime pedido da promotoria não tem data para ser realizada.
O advogado da médica, Sérgio Habib, informou que a oftalmologista está abalada psicologicamente e, por isso, está sendo medicada na central médica penitenciária.
Denúncia
A médica foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público da Bahia. A oftalmologista vai responder pelos crimes de duplo homicídio qualificado, impossibilidade de defesa e perigo comum, conforme a denúncia da promotora de Justiça Armênia Cristina Santos.
Para a promotora, as imagens capturadas pelas câmeras de segurança não mostram a ação de forma completa, por isso houve o pedido da reconstituição da batida. A intenção da Promotoria é saber sobre a velocidade e a dinâmica da batida do carro conduzido pela médica.
A médica foi internada no Hospital Aliança após o acidente, mas deixou a unidade de saúde no dia 17 outubro e foi encaminhada para o presídio feminino no Complexo Penitenciário da Mata Escura.
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