CE - Informalidade chega a atingir 37% na Capital

FAVELAS E INVASÕES

IBGE revela que, nas favelas e em outras áreas semelhantes, boa parte da população não possui carteira assinada

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem dados inéditos do Questionário da Amostra do Censo 2010, dessa vez com uma abordagem mais focada nos chamados aglomerados subnormais, que são locais como favelas, invasões, grotas, baixadas e comunidades. Em Fortaleza, por exemplo, o instituto constatou que, naquele ano, o número de trabalhadores informais atingia 37% do total de empregados naquelas áreas, um índice bem acima do constatado entre as pessoas que moravam em outras pontos da cidade, que foi de 29,4%.

Nas áreas de favela ou invasões de Fortaleza, o número de pessoas que trabalham de modo informal superou muito a quantidade de trabalhadores informais residentes em outras áreas da cidade Foto: Marília Camelo

A quantidade de fortalezenses sem carteira de trabalho assinada também ficou proporcionalmente acima da média nacional, independente de onde viviam os trabalhadores. Isso porque, no Brasil, a informalidade nas áreas de aglomerados era de 27,8%, enquanto em outras áreas o índice era de 20,5%. Essa desigualdade ocorreu em todas as regiões, com menos força no Sul e mais intensidade no Norte.

No total, Fortaleza possuia 860.276 pessoas de 10 anos ou mais empregadas em 2010. Dessas, 125.386 (14,5%) viviam em aglomerados subnormais e 734.890 (85,5%) moravam em outras áreas da cidade. O número total de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada somava 262.828 naquele ano.

Rendimento

O IBGE também revelou alguns dados sobre os rendimentos das pessoas que viviam em aglomerados subnormais em 2010. Na Capital cearense, 31.679 domicílios instalados nessas áreas possuiam renda de apenas meio salário mínimo, que na época era de R$ 510. Dessa forma, 29,1% das residências nesses locais eram sustentadas por apenas R$ 255. Segundo o Censo, apenas 1% desses domicílios possuiam um rendimento que superava o patamar de cinco salários mínimos, enquanto em outros pontos da cidade o índice era de 9%. No Brasil, 31,6% dos moradores dos aglomerados subnormais tinham rendimento domiciliar per capita até meio salário mínimo, ao passo que nas demais áreas o percentual era de 13,8%. Sul (20,6% e 5,1%, respectivamente) e Sudeste (25,6% e 10,7%, respectivamente) tinham as menores proporções. O maior contraste está no Centro-Oeste, onde 28,4% dos domicílios em aglomerados subnormais estão nesta faixa de renda.