Mulher que teve olhos perfurados vai à Câmara e pede lei mais rigorosa
Ela disse que antes do episódio chegou a denunciar agressor por 4 vezes.
A operadora de caixa Mara Rúbia Guimarães, de 27 anos, que teve os olhos perfurados pelo ex-marido, visitou o plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (5) para pedir maior eficiência do Estado na proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.
Em 29 de agosto, ela foi atingida pelo ex-companheiro, em Goiânia, ao chegar em casa para almoçar. Depois de cometer as agressões com uma faca, o homem fugiu. Após 21 dias foragido, ele se entregou à Polícia Civil. No último dia 30, ela ganhou a guarda do filho.
Mara Rúbia Guimarães já passou por uma operação no olho esquerdo e duas no olho direito. Em seis meses, deverá passar por uma nova cirurgia.
Ela afirmou que, antes do episódio, procurou a polícia por quatro vezes para denunciar o agressor e relatar ameaças. “Eu confiava na lei e fui atrás do cumprimento da Lei Maria da Penha e hoje estou com os olhos furados”, afirmou ao deixar o plenário.
Mara Guimarães defendeu maior tempo de prisão aos agressores e medidas de proteção a mulheres que recorrem à polícia para denunciar violência doméstica. “Quero acabar com a injustiça. Meu ex-marido está para ser solto. Quero que continue preso”, disse.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que conversou com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e marcou reunião para esta quarta (6) para discutir as reivindicações da mulher.
De acordo com familiares, a operadora de caixa e o marido se separaram há dois anos e o suspeito não se conformava com o fim do relacionamento. Desde então, a mulher, que morava em Corumbá de Goiás, se mudou para Goiânia.
Guarda do filho
Em meio ao tratamento para recuperar a visão, Mara Rúbia tentava obter a guarda do filho, de sete anos. Em setembro, a Justiça de Goiânia chegou a dar parecer favorável à mãe.
No entanto, a promotoria da cidade foi contrária à medida, e o caso foi encaminhado ao juiz de Corumbá de Goiás, que entendeu que houve uma confusão sobre qual comarca deveria julgar o caso. Com isso, o menino não pôde ser levado.
No final de outubro, Mara obteve na Justiça a guarda do filho. O menino vivia com a avó paterna na cidade de Corumbá de Goiás porque, segundo o Poder Judiciário, os pais não tinham condições psicológicas, sociais e financeiras para cuidar da criança.
Na sentença que concedeu a guarda a Mara, o juiz Levine Raja Gabaglia Artiaga, da comarca de Corumbá, disse considerar que a operadora de caixa já tem condições de cuidar do filho.
“Naquele momento, a Mara Rúbia passava por um momento psicológico muito difícil, não tinha nem onde morar, morava em um abrigo. Era mais adequado ele permanecer com a avó. Agora ela já mora com a mãe, a saúde melhorou, é um momento psicológico muito melhor”, disse o juiz.
Nathalia Passarinho e Felipe NériDo G1, em Brasília
Mara Rúbia Guimarães (centro) é amparada ao deixar o plenário da Câmara (Foto: Nathalia Passarinho / G1)
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