Mudança em método de reajustes da Petrobras não tem prazo, diz Mantega
Nova metodologia deverá contemplar ajustes automáticos, informou estatal. Ainda aguarda aval, porém, do Conselho de Administração da empresa.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira (30) que a mudança na metodologia de reajustes de combustíveis da Petrobras ainda não está definida e não pode ser feita "rapidamente".
"A metodologia está sendo desenvolvida, ela ainda não está pronta. Portanto, não há nada definido, não tem nenhuma data para o aumento, nada disso", disse o ministro, que também é presidente do conselho da estatal. "Estamos desenvolvendo essa metodologia há alguns meses. É uma coisa séria, importante, não pode ser feita rapidamente, de afogadilho".
Na manhã desta quarta, a Petrobras divulgou como deverá ser a nova metodologia de preços de combustível anunciada pela estatal na semana passada. De acordo com o fato relevante disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os reajustes serão "automáticos", baseados em diferentes "variáveis".
A empresa não informou quando as novas regras começarão a valer. O Conselho da Petrobras, integrado por representantes do governo (sócio controlador), incluindo Mantega, pediu prazo até 22 de novembro para avaliar a nova metodologia proposta pela diretoria.
No início desta semana, o diretor financeiro da empresa estatal, Almir Barbassa, afirmou que a nova metodologia de preços de combustíveis da Petrobras para diesel e gasolina, deverá contemplar ajustes automáticos.
Ele acrescentou, porém, o novo método de reajustes ainda aguarda o aval do Conselho de Administração da empresa. A Petrobras anunciou a aprovação da metodologia pela diretoria na sexta-feira (25), junto com os resultados trimestrais, mas não divulgou detalhes do mecanismo.
A nova metodologia visa garantir que a Petrobras possa cumprir seu grande plano de investimentos, assim como reduzir a alavancagem, em um momento que o índice superou o "teto desejável" de 35%, disse o diretor financeiro nesta segunda-feira.
"O que estamos prevendo é que a nova política contemple a nossa previsibilidade e permita a implantação do plano de negócios que temos", afirmou Barbassa, referindo-se aos investimentos de US$ 236,7 bilhões previstos de 2013 a 2017.
O Conselho da Petrobras, integrado por representantes do governo (sócio controlador), pediu prazo até 22 de novembro para avaliar a nova metodologia proposta pela diretoria.
O governo controla os reajustes de combustíveis da estatal por conta questões relacionadas à inflação. Já a Petrobras quer que a nova metodologia traga maior previsibilidade do alinhamento dos preços domésticos do diesel e da gasolina aos preços praticados no mercado internacional.
A atual política de preços da Petrobras, com reajustes esporádicos que não acompanham valores internacionais no curto prazo e provocam defasagem, está afetando a companhia num momento em que a empresa vem importando derivados para fazer frente ao crescimento do consumo brasileiro, principalmente por diesel.
Alexandro MartelloDo G1, em Brasília
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