DISPUTA NO PT: Candidatos querem mudança no partido
O Partido dos Trabalhadores (PT) precisa se reaproximar dos movimentos sociais, consolidar sua democracia interna, melhorar sua comunicação, investir mais em formação política dos seus filiados e ter uma relação mais próxima com o meio acadêmico. Esses são alguns do diagnósticos dados pelos cinco candidatos que concorrem à presidência da legenda no Ceará, pelo Processo de Eleição Direta (PED), que ocorre no próximo dia 10 de novembro.
Para todos eles, a sigla se afastou das suas origens, nos últimos anos, e precisa retomar suas bandeiras fundadoras não só no Estado, mas em todo o País. A maioria dos candidatos avalia que esse afastamento se deu, sobretudo, em consequência - direta ou indireta - da chegada do partido ao poder. Na avaliação deles, isso acomodou setores da legenda e fez com que a sigla tivesse de ceder a formas de fazer política de outras forças divergentes, em prol da governabilidade.
Candidato pela corrente "Tendência Revolucionária Socialista", Antônio Ibiapino avalia que o partido "abandonou" seu princípio histórico de apoio à luta social, o que fez com que perdesse grande parte dos elos com a classe trabalhadora, seu principal "público-alvo". "Tivemos greve dos bancários. Quantos do PT estavam lá apoiando?" Para ele, esse afastamento fez com que a legenda perdesse a força e a credibilidade que tinha.
Agrupar
Da corrente "O Trabalho", o candidato Eudes Baima avalia que o PT precisa recuperar a capacidade que tinha de agrupar, organizar e congregar setores empenhados nas lutas dos movimentos sociais. "Tem que retomar suas origens, não por causa de um respeito religioso a essas bandeiras fundadoras, mas porque elas continuam sendo atuais e necessárias ao País", ressalta. Para ele, todos esses problemas "organizativos" são "decorrentes" dos problemas "políticos".
Francisco de Assis Diniz (corrente "Campo Democrático") defende que o PT deve resgatar o diálogo com sua militância, dando oportunidade para que ela seja ouvida e, assim, possa participar das decisões do partido. Ele defende a ideia de regionalização e descentralização política. Para isso, propõe a formação de três estruturas "macrorregionais" no Cariri, no Centro Sul/Inhamuns e na Região Norte.
O vereador de Fortaleza Guilherme Sampaio avalia que o partido precisa reafirmar sua identidade política que sempre o diferenciou com uma sigla de esquerda, democrática e que representa os movimentos sociais. Na avaliação do parlamentar, as "emergências de governar" tiraram o "talento da nossa militância de cuidar dessas bases".
Candidato pela corrente "Esquerda Popular Socialista", José Maria Castro defende que o partido deve, em primeiro lugar, consolidar sua democracia interna. "Não basta só garantir nos estatutos a participação paritária de mulheres, jovens e negros", diz. Para ele, o próprio PED deve ser revisto, pois o formato atual está reproduzindo o processo de eleição utilizado na sociedade como um todo.
O PED acontece no próximo dia 10 de novembro e vai eleger novos presidentes nacional, estaduais e municipais do PT em todo o Brasil. No Ceará, Luizianne Lins deixa o cargo após oito anos como presidente. Em Fortaleza, os candidatos a presidente municipal são o vereador Acrísio Sena; David Barros; o candidato à Prefeitura de Fortaleza derrotado em 2012, Elmano de Freitas; e Maria José Moraes. Os novos presidentes eleitos assumem os cargos em fevereiro de 2013.
O vereador Guilherme Sampaio, que concorre à direção estadual do PT, diz que o partido precisa reafirmar sua identidade política de esquerda Foto: José LEOMAR
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