SANTANA DO CARIRI: Cultivo do abacaxi é incentivado
Santana do Cariri. Projeto da Secretaria de Agricultura deste município, em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), visa restabelecer a produção de abacaxi como uma das principais culturas desenvolvidas pelo setor agrícola local.
A fruta chegou a ser cultivada em área superior a 1.500 hectares na Chapada do Araripe na década de 70, quando, então, passou a perder o interesse dos agricultores que resolveram migrar os plantios para outras culturas. A mudança ocorreu à grande infestação da doença fusariose, ocasionada pelo fungo Fusarium subglutinans, que praticamente devastou a produção do abacaxizeiro na região.
Em meados do ano 2000, a Ematerce iniciou trabalho de revitalização da cultura junto aos agricultores do município, a partir de novas tecnologias. As novidades apresentadas pelo órgão propiciam à fruta melhores condições de combater a praga da fusariose. No próximo dia 30, a Secretaria de Agricultura do município vai reunir agricultores de diversas regiões para apresentar novas experiências em torno da produção do abacaxi.
Alternativas
Variedades mais resistentes da fruta, levantamento sobre o melhor período para realização do plantio, indução floral e o uso de defensivos agrícolas para o controle da doença fazem parte das alternativas a serem apresentadas pelos técnicos da Secretaria e da Ematerce.
Outro ponto importante na busca pelo resgate do plantio de abacaxi no município, conforme o secretário de Agricultura de Santana do Cariri, Francisco Edvan Pereira, são as condições de financiamento disponíveis ao produtor rural. Instituições financeiras como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste disponibilizam linhas de crédito para que o agricultor possua as condições financeiras necessárias para retomar à produtividade da fruta.
Atualmente, existem cerca de 20 produtores realizando o plantio do abacaxi na zona rural da cidade. A área, ainda pequena, utiliza cerca de 100 hectares e está localizada na região da Serra de Dom Leme, nas proximidades da região onde a produção já foi vista como fator imprescindível na economia local.
"A revitalização do abacaxi tem como finalidade a possibilidade de oferta de renda suplementar ao nosso agricultor", avalia Pereira. Ele diz que no início do projeto houve resistência. Porém, aos poucos, os agricultores demonstraram interesse em novamente produzir a fruta.
"Como no passado houve uma perda muito grande na produção do abacaxi, devido a infestação da praga da fusariose, o agricultor temia que plantar novamente a fruta pudesse resultar em novos prejuízos", explica.
Para que os primeiros interessados na revitalização da cultura começassem a aparecer, Pereira diz que foi fundamental o apoio técnico da Ematerce. "Não fosse a boa vontade, o incentivo e a dedicação dos técnicos da Ematerce, paralelo ao trabalho que nós já vínhamos desenvolvendo no âmbito da própria Secretaria, não haveria o retorno do agricultor ao plantio dessa cultura".
Cultivo
Os solos para o plantio do abacaxi precisam ser arenosos e bem drenados, de preferência sem qualquer aclive ou declive. Também é recomendável que não apresentem condições favoráveis a encharques. É preciso cuidado na hora do preparo da terra, que deve ser feito com uma aração e duas gradagens. Solos que já tenham sido utilizados para plantio da fruta na safra anterior não são recomendáveis.
O abacaxi pode ser consorciado com feijão, amendoim, girassol, melancia, quiabo, repolho, tomate e outras culturas de ciclo curto, que são plantadas nos espaçamentos e na mesma época da cultura da fruta. Deve-se evitar plantá-la com milho, que também é hospedeiro da fusariose.
O consórcio deve restringir-se aos primeiros seis meses do ciclo do abacaxi. A recomendação para o início do plantio é de que em áreas de sequeiro comece no final da estação de seca e início da estação chuvosa. Em culturas irrigadas, pode ser realizado durante o ano todo.
Mais informações
Secretaria de Agricultura de Santana do Cariri
Rua Ulysses Coelho, 200
Centro
Telefone: (88) 3545.1181
A fruta chegou a ser cultivada em área superior a 1.500 hectares na Chapada do Araripe na década de 70, mas o plantio parou por conta de um fungo. Agora sua revitalização busca a possibilidade de renda suplementar ao agricultor FOTO: NEYSLA ROCHA
ROBERTO CRISPIM
COLABORADOR
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