Professores municipais decidem pôr fim à greve no Rio após 5h de votação

Assembleia foi marcada por bate-boca, briga e divisão de grupos.

Em uma assembleia ainda mais tumultuada e tensa do que a que decidiu pelo fim da greve dos professores estaduais nesta quinta-feira (24), os profissionais da educação do município do Rio também votaram, nesta sexta (25), pelo fim da paralisação iniciada no dia 8 de agosto. O encontro, realizado no Clube Municipal, na Tijuca, Zona Norte da cidade, teve início às 14h30. Após cinco horas e três votações, 1.085 votaram a favor do fim da greve e 888 votaram pela continuidade da paralisação.

A Secretaria Municipal de Educação informou que as aulas devem ser retomadas na terça-feira (29) porque segunda (28) é feriado do Servidor Público.

Ocorreram três votações durante a assembleia. Duas visuais, quando os presentes levantam a mão para manifestar o voto, e uma individual — e decisiva —, com contagem de cada voto. Pela manhã, o Conselho Deliberativo do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) se reuniu com nove regionais para formular a proposta para ser apresentada na assembleia. Oito regionais decidiram pela volta ao trabalho e apenas uma, da região de Madureira, foi contra.

Pancadaria
Antes da votação, a assembleia foi palco de pancadaria, por volta das 17h30. No momento em que docentes discursavam para defender suas posições e tentar conquistar o voto dos pares, houve uma briga entre um professor e uma mulher, vestida com uniforme de aluno da rede municipal. Ela disse se chamar Claudia Aparecida Flôrencio e  estar matriculada na Escola Municipal México. Ela ficou ferida na cabeça e foi atendida pelo serviço médico do clube.   

Mais cedo, três homens foram expulsos do Clube Municipal, acusados pelos presentes de serem "infiltrados", por não fazerem parte da categoria. Eles estavam nas arquibancadas e foram denunciados por um grupo de professores. Um outro homem que estava no mesmo local apresentou o contracheque para comprovar que era professor.

Reposição das aulas 
A Secretaria Municipal de Educação divulgou nota informando que recebeu com satisfação a decisão da assembleia dos profissionais da educação de encerrar a greve nesta sexta-feira. A Secretaria informa que todos  todos os acordos firmados pela Prefeitura com o sindicato serão cumpridos.

De acordo com a nota, caberá à direção de cada unidade escolar avaliar o tamanho das faltas ocorridas durante a paralisação e elaborar o plano de reposição.Segundo a pasta, os alunos que ficaram sem aulas vão receber recuperação emergencial de aprendizagem por reforço escolar além de leitura e dever de casa com material preparado para a reposição.

Também poderá haver aulas na semana prevista para o período de recesso do mês de dezembro de 2013, os sábados e os dias em que não estejam previstas atividades regulares nas unidades escolares, horários vagos na grade escolar e também o mês de janeiro de 2014.

Avaliação do movimento
O Coordenador do Sepe, Marcelo Santana, que a direção do sindicato encaminhou a suspensão da greve mas quem definiu foram os professores reunidos na assembleia. Ele também comentou o resultado da votação e o clima tumultuado da votação. "Foi apertado mas a luta continua. A gente clama a categoria para a união porque temos muita coida para derrotar. O que temos de lição foi a capacidade de mobilização após 19 anos sem fazer greve", completou.

Sobre o Plano de Cargos e Salários, o sindicato avalia que o plano continua rejeitado pelos professores. "Continuaremos lutando para conseguir que ele seja retirado de alguma forma. Existem recursos em andamento", disse a coordenadora do Sepe, Gesa Correa.  

Reunião com ministro
A pauta da reunião desta sexta foi a audiência de conciliação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) na terça (22), em que o ministro Luiz Fux se reuniu com docentes e chegou a anunciar que havia um acordo para o fim da greve.

No encontro, estiveram presentes também o secretário da Casa Civil do governo do Rio de Janeiro, Regis Fichtner, e o secretário da Casa Civil da Prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho Teixeira.

De acordo o ministro do STF na ocasião, ficou decidido que não haverá corte do ponto nos salários em relação aos dias parados. Ainda segundo Fux, os governos estaduais e municipais terão que devolver os valores já descontados e os professores deverão repor os dias parados.

Ao fim do encontro, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) chegou a informar que as aulas poderiam voltar já na sexta.

No caso da rede municipal, no entanto, o próprio documento assinado pelas partes prega que o Sindicato Estadual de Profissionais da Educação (Sepe) deveria retomar "as atividades escolares de forma integral ao início do próximo dia útil", após "deliberação assemblear na sexta-feira".

Assembleia da rede estadual: discussão acirrada
Após uma discussão acirrada e com alguns momentos de tensão, cerca de mil profissionais da educação estadual  do Rio de Janeiro decidiram, às 18h20 desta quinta, encerrar a greve que afetou cerca de 45 mil alunos.

O acordo prevê o abono das faltas durante a greve, a reposição das aulas e a não punição aos grevistas. O reajuste para os professores ficou em 8%. A categoria reivindicava 19%.

Votação decide pelo fim da greve nesta sexta (25) (Foto: Káthia Mello/G1)

Káthia MelloDo G1 Rio