Consumidor diz que falta de segurança é maior problema
PESQUISA NA CAPITAL
Pergunta da Fecomércio aponta o tema como mais grave na Capital, inclusive superando saúde e educação
Motivo de debate intenso na sociedade cearense nos últimos anos, a segurança pública - ou melhor, a insegurança - já está interferindo nos setores produtivos de Fortaleza e, agora, não é só com os preços dos produtos que o comércio varejista da Capital deve se preocupar para atrair clientela. Numa lista onde figuravam os temas saúde, educação e até a tão falada mobilidade urbana, a segurança foi apontada pelos consumidores como o setor com mais problemas da cidade, segundo pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE).
Temor é que turistas deixem de frequentar a cidade e os consumidores deixem de sair, gerando prejuízos cada vez maiores Foto: Bruno Gomes
Foram 45,9% dos entrevistados que apontaram o medo de ser assaltado, furtado ou roubado como principal inibidor de compras contra 34,4% da saúde, 11,5% da educação e surpreendentes 6,4% da mobilidade urbana. Os dados são fonte de uma pergunta ("Na sua opinião, qual é o setor atualmente com mais problemas no município de Fortaleza?") incluída na última pesquisa de endividamento.
Nela, ainda há a constatação de que é o público feminino (50,6%), os que têm entre 18 e 24 anos (49%) e nova classe média (49,4%) que estão mais preocupados com a segurança local.
Social, mas age na economia
"O impacto dessa onda de insegurança não é tão visível como o ato criminoso. Mas se o turista deixar de frequentar Fortaleza e até o cidadão daqui deixar de ir às lojas para fazer compras, divertir-se e outras coisas pelo medo de ser assaltado, a economia do Estado vai sofrer", analisa o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista d e Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves.
De acordo com ele, é preciso fazer as contas do impacto na economia local e, no longo prazo, o prejuízo será enorme. Porém, tanto ele quanto o assessor econômico da Fecomércio-CE, Alex Araújo, defendem que o problema é mais complexo e vai além do pedido de mais polícia nas ruas. "Há um clamor muito grande para que ações enérgicas sejam tomadas - um clamor social e não só do comércio -, mas não é uma questão de mais violência para combater violência", defende Araújo.
O economista defende que o aumento de casos de violência na cidade e no Estado é social e, como todo problema que atinge a sociedade, também interfere no funcionamento dos setores produtivos. Para solucioná-lo, ele acredita que "a sociedade deve dar destino a alguns temas que ainda não foram bem definidos, como a maioridade penal e a questão da impunidade na justiça brasileira", aponta.
Remediar custa caro
Diante da falta de solução - seja emergencial ou planejada - por parte do poder público, resta aos comerciantes investir na segurança do próprio negócio, o que varia de uma vigilância eletrônica com câmeras até segurança armada, passando por aquilo que Alex classifica como "visualmente agressivo": as grades.
Para ele, torna-se "esdrúxula" a relação entre o comerciante e o consumidor quando o primeiro não permite sequer que o segundo entre no estabelecimento para fazer a compra por medo de ser assaltado.
"E os custos com segurança armada são tão grandes que é impossível não repassar para o consumidor e isso, com certeza, acaba afetando a inflação", alerta o presidente do Sindilojas sobre uma solução cada vez mais tomada pelos empresários da Capital e também do Interior.
Mais shoppings
Outro reflexo dos casos de assalto, roubos e furtos pela cidade, segundo o assessor econômico da Fecomércio-CE, é o investimento em novos shopping centers na cidade.
"Os shoppings se tornam uma ilha de excelência porque eles concentram tudo em um lugar só e com vigilância e segurança o tempo todo", ressalta Abílio do Carmo, presidente da Associação dos Lojistas de Shopping do Ceará (Aloshop-CE).
Atualmente, a Capital cearense conta com a construção simultânea de três novos centros comerciais em três bairros diferentes da cidade (Joquéi, Parangaba e Papicu).
Lojas fecham na segunda-feira, 21
Quem pretende ir às compras nos próximos dias, deve aproveitar o fim de semana para fazê-lo. O comércio varejista de Fortaleza fecha as portas na próxima segunda-feira, em comemoração antecipada ao Dia do Comerciário, que transcorre no dia 30 de outubro. Dessa forma, tanto as lojas satélites, de rua, como as dos shopping centers fecharão dia 21, à exceção dos supermercados, cinemas e praças de alimentação, bares e restaurantes.
O dia livre sem trabalho é resultado de negociação entre os sindicatos dos trabalhadores do comércio e dos lojistas, tendo em vista que o Dia do Comerciário não consta no calendário oficial de feriados da cidade. A antecipação da data para 21 de outubro, teve o objetivo de evitar um "feriadão" no setor, já que 30 de outubro é uma quarta-feira e o feriado de 2 de novembro, Dia de Finados, será no sábado seguinte, na mesma semana.
Negociação
"Negociamos a antecipação do Dia do Comerciário para evitarmos um "feriadão, o que não seria bom para o segmento", explicou o presidente do Sindicato dos Lojistas de Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves. "Na (próxima) segunda-feira, portanto, o comércio lojista vai fechar todo", garantiu o empresário.
Para folgar nessa segunda-feira, os comerciários negociaram os feriados de Corpus Christi, em 30 de maio, Dia da Pátria, em 7 de Setembro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em 12 de outubro e da Proclamação da República, em 15 de novembro. "Todos esses feriados foram negociados e pagos, conforme previsto na legislação trabalhista", ressalta Alves.
´Natal na rua´
Passado o feriado, o empresário alerta que é tempo, agora, para retomar o ritmo normal das vendas e recuperar as perdas, devido a greve dos bancários. "Foram três semanas perdidas, dias muito ruins para o comércio", declarou Cid Alves, segundo quem as perdas nas vendas giraram em torno de 35%, nos dias da paralisação. "Foi um baque significativo. A greve foi muito cruel para o comércio", acrescentou o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers do Ceará (Aloshop), Abílio do Carmo. Ambos avaliam que as vendas começam a voltar à normalidade e o comércio a pensar no Natal, apesar do temor com a inadimplência, sobretudo nos cartões de crédito.
"A partir de 1º de novembro o Natal vai estar nas ruas. Os shoppings já começaram a se enfeitar. Vamos, inclusive, antecipar as comemorações (da chegada do Papai Noel)", adiantou do Carmo. De acordo com ele, esse será um Natal com muitos sorteios e prêmios, incluindo veículos de luxo e apartamentos. "Os shoppings filiados à Aloshop-CE irão investir cerca de R$ 5milhões em decoração e em publicidade e propaganda", conta.
ARMANDO DE OLIVEIRA LIMA
REPÓRTER
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