Sem acordo, professores seguem acampados na Câmara de Goiânia

Justiça decretou reintegração de posse, mas grevistas não foram notificados.

Os professores em greve que ocupam o plenário da Câmara Municipal de Goiânia, desde a manhã de terça-feira (8), garantem que passarão mais uma noite no local. “Até agora não houve avanço e isso mostra a falta de bom senso da prefeitura, já que não foi aberto nenhum canal de negociação com os trabalhadores”, disse ao G1 um dos coordenadores do comando de paralisação, Antônio Gonçalves Rocha Júnior.

Em assembleia, realizada pela manhã desta quinta-feira (10), a categoria decidiu pela manutenção do movimento. "Também exigimos a extinção da ação civil pública movida pela prefeitura contra o comando de greve", disse Renato Peres, outro líder grevista.

Também no final da manhã, um oficial de Justiça esteve na Câmara para notificar os profissionais sobre a reintegração de posse, decretada pela a juíza Jussara Cristina Oliveira Lousa, da 3ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Registros Públicos. No entanto, o oficial Roberto Bento foi recebido por uma comissão de vereadores no estacionamento privativo e foi embora sem entregar o documento.

"Eu queria conversar com eles, para sentir se eles estão com intenção de sair ou de ficar mais tempo. Não cabe a mim pressionar eles para sair ou não. Eu vou devolver o mandado, através da minha certidão, e informar para a juíza o que de fato aconteceu aqui, e ela vai tomar a deteminação necessária para dar cumprimento ao mandado", disse Roberto Bento. Até a noite desta quinta-feira, nenhuma nova decisão havia sido tomada pela Justiça.

O presidente da Câmara, Clécio Alves (PMDB), esteve no plenário no início da tarde para conversar com os grevistas. Ele disse que quer ajudá-los a negociar com a prefeitura, mas até a noite desta quinta-feira nada foi acertado.

O G1 entrou em contato com a assessoria do prefeito Paulo Garcia, que informou que ele não vai se manifestar sobre o caso, pois a negociação com os grevistas cabe, exclusivamente, à Secretaria Municipal de Educação (SME). Já a pasta, por sua vez, disse que permanece aberta ao diálogo com os profissionais.

Ocupação
Cerca de 300 professores, que estão em greve desde o último dia 25 de setembro, invadiram o plenário da Câmara de Vereadores na manhã de terça-feira (13). Eles protestavam contra a rejeição de uma emenda a um projeto que estabelece regras para o Auxílio Locomoção da categoria.

A emenda que foi rejeitada previa que todos os professores recebessem o benefício de locomoção no valor de R$ 319. Apesar de favoráveis à medida, a categoria é contra o projeto, que estabelece três níveis de auxílio, com valores que variam conforme a carga horária de trabalho. Com isso, o profissional com carga horária de 20 horas semanais receberá R$ 133,30 mensalmente. O valor será de R$ 200 para 30 horas semanais e de R$ 266,60 para 40 horas semanais.

Os manifestantes acreditavam que a alteração no projeto original seria aprovada pelos vereadores, porque 17 parlamentares haviam votado a favor e 16, contra. Porém, o vereador Jorge do Hugo (PSL) pediu para corrigir o voto. Assim, a emenda foi rejeitada por 17 votos contra e 16 a favor, o que revoltou os professores. Com a invasão do plenário, a sessão foi suspensa e a emenda deve voltar a ser discutida.

Greve
Os professores da rede municipal de ensino estão em greve desde o dia 25 de setembro. Além de reivindicar o benefício de transporte para todos os professores e auxiliares educativos, a categoria quer o fim do parcelamento da data-base, que representa a reposição salarial por perdas inflacionárias. Os grevistas querem ainda o enquadramento dos auxiliares educativos como funcionários do magistério e melhores condições de trabalho.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a paralisação prejudica mais de 70 mil alunos, pois 59% das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei) estão sem aulas.

Professores decidiram manter greve durante assembleia (Foto: Dominício Gomes/O Popular)

Do G1 GO, com informações da TV Anhanguera