POSSE 'Nordeste só será forte com o BNB fortalecido'

Segundo Holanda, sua gestão será pautada na integridade, inovação, meritocracia, no cliente e resultados financeiros

POSSE DE MARCOS HOLANDA A solenidade de posse do novo presidente do BNB foi acompanhada por políticos e representantes de diversos setores da economia cearense FOTO: KIKO SILVA "Não existe Brasil forte, sem o Nordeste forte e não existirá Nordeste forte sem que o BNB seja forte. Esse é o nosso compromisso para fortalecer (social e economicamente) a região e o País". A declaração do novo presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o economista Marcos Costa Holanda, em seu discurso de posse na tarde de ontem, traduz o tom técnico e nacionalista que pretende imprimir na instituição, daqui para a frente. Numa demonstração de que pretende estabelecer, já a partir no primeiro dia de sua gestão, um novo conceito de administração e de desenvolvimento para o banco e para o Nordeste - despido de interferências políticas e avesso às irregularidades que pautaram grande parte do noticiário sobre a instituição nos últimos anos -, Holanda disse que as interferências políticas serão tratadas "sendo técnico". 'Guardião da integridade' Para um auditório lotado, composto por lideranças políticas e empresariais, representantes de entidades de classe e de funcionários do banco, Holanda traçou os quatro princípios básicos de sua gestão. Conforme declarou, a nova administração será pautada na integridade, na meritocracia, na inovação, sem esquecer do foco principal: o cliente e os resultados financeiros e econômicos para o banco e a região. "O grande papel da presidência é ser o promotor, o guardião desses princípios, que devem permear toda a instituição, desde o funcionário que serve o cafezinho, os diretores e o presidente". Conforme disse, "a mãe de todos os princípios é a integridade. Esse é um princípio que vamos cobrar e vamos praticar", declarou, arrancado aplausos dos presentes, que lotaram o auditório Celso Furtado, na sede da instituição, no Passaré. Banco diferente Ao fazer uma leitura da conjuntura econômica da região, o economista disse ser inegável que o Nordeste cresceu muito nos últimos anos, que reduziu a pobreza, distribuiu renda e se desenvolveu, mas que ainda precisa se desenvolver muito mais para atender aos anseios da população, sobretudo das camadas mais pobres. "É nessa procura que entra o BNB, o grande instrumento de desenvolvimento da região", declarou, lembrando que foi para isso que o banco foi criado, que se justifica no presente e para o que se candidata no futuro. "O BNB não é um banco de desenvolvimento. É o banco do desenvolvimento", asseverou, destacando a premissa básica da instituição que a torna diferente dos demais bancos. Outro diferencial de sua administração, anunciou, será o de transformar o banco em "um ser gerador de inteligência local, um gerador de conhecimento regional", como forma de melhor conhecer os seus atores, os clientes, as empresas, e tornar-se um banco mais capaz de promover o desenvolvimento regional. Para ele, o BNB deve ter o compromisso de ofertar crédito para quem o mercado (demais bancos) não atende de forma satisfatória. "Esse é o diferencial do BNB que tem de ser preservado e fortalecido, para atender a quem mais precisa. Atender o pequeno agricultor, as famílias nordestinas mais carentes, as empresas que precisam do crédito para se tornarem mais competitivas e com isso ter mais capacidade de gerar riquezas, emprego e trabalho", defendeu. Fonte de recursos Para tanto, Holanda disse que irá dispor de cerca de R$ 27,2 bilhões, dos quais 55% são oriundos do Fundo Constitucional de Desenvolvimento no Nordeste (FNE), cujos recursos estão livres de contingenciamento por parte do governo federal. Além do apoio do FNE e da parceria com o BNDES, Holanda ressaltou que o BNB tem uma grande capilaridade de captação de recursos, não só no mercado doméstico, mas também externo. "A questão de recursos sempre é uma luta, mas esse não vai ser o problema maior", acredita. O economista não descartou um cenário em que o BNB acompanhe as mudanças econômicas que vêm ocorrendo no País, mas assegurou que pretende conduzir essas modificações de outra forma. "Dentro do contexto de elevação dos juros, essas mudanças podem acontecer, mas nós vamos assegurar que as taxas sejam competitivas e acessíveis dentro dessa lógica de desenvolvimento regional", reforçou. Inovação e mérito Nesse cenário, o economista ressaltou que "nós do BNB temos que estar sempre abertos ao novo e às novas realidades do contexto do mundo", como forma de tornar o banco mais efetivo nas suas políticas de crédito e de promoção do desenvolvimento da região. "O mundo muda cada vez mais rápido, a realidade é muito dinâmica, alertou Holanda, para quem inovar não significa, necessariamente, adotar a tecnologia mais moderna, de ponta, mas, ser mais efetivo na adoção de tecnologias e práticas usuais, de forma continuada. Sobre possíveis mudanças na diretoria, Holanda falou que "por enquanto, nada está previsto", mas garantiu que o perfil técnico e a carreira dos funcionários serão priorizadas, com base no princípio da meritocracia. "O mérito é a regra. O mérito é a ordem com a qual a gente vai se relacionar enquanto funcionário", advertiu Holanda. "O bom servidor, o bom funcionário, comprometido, capaz de entregar resultados terá que ser e será recompensado e reconhecido", exclamou, sinalizando com a marca que pretende deixar na instituição relativa a gestão funcional. Carlos Eugênio Repórter