Onda de violência assusta moradores de Arneiroz

Até o padre já recebeu ameaças

Reunião debateu insegurança em Arneiroz. Foto de Amaury Alencar por Honório Barbosa  A onda de violência é crescente não apenas nas capitais e nos grandes centros urbanos, mas atinge também as pequenas cidades do Interior do Estado. A falta de segurança pública passou a ser motivo de preocupação para moradores e comerciantes. Na cidade de Arneiroz, na região dos Inhamuns, há registro de assaltos à mão armada e até o padre da paróquia local sofreu ameaças. A questão da insegurança pública foi discutida recentemente na Câmara de Vereadores em reunião com parlamentares, representantes de entidades de classe, da Polícia Militar, de instituições públicas e privadas, estudantes, professores e agricultores. O objetivo do encontro foi definir uma ação conjunta entre as lideranças locais, que apontaram a falta de policiamento como o principal problema. A delegacia não oferece estrutura adequada de funcionamento. O município tem cerca de oito mil habitantes e só há três policiais em trabalho efetivo.   O presidente da Associação Comercial de Arneiroz, Vagner Noronha, disse que a sensação de insegurança ultimamente está preocupando a população e empresários. “Assaltantes vêm à cidade e cometem violência contra a classe empresarial”, disse. “Já tivemos um assalto contra um correspondente bancário e três lojas foram arrombadas, em apenas um mês e meio”. PADRE RECEBE AMEAÇAS O pároco da igreja Matriz de Arneiroz, Padre José Leandro de Almeida, confirmou que recebeu ameaças, por meio de uma folha de papel, deixada na casa paroquial. “Estava escrito em uma letra graúda que Deus existe, mas o inferno ia começar aqui na terra e que eu tomasse cuidado com o que estava falando em defesa da comunidade, pois seria o próximo”, contou. “Não dei importância, amassei e joguei no lixo”. O sacerdote não quis registrar boletim de ocorrência e nem comunicou o fato à diocese de Iguatu. “Achei uma coisa sem fundamento, não quero dá importância”, frisou o padre José Leandro. Entretanto, o religioso tem abordado o tema da insegurança pública e questionado as autoridades durante as pregações litúrgicas na Igreja Matriz e nas capelas, nas vilas rurais. “Temos de denunciar essa situação, a falta de efetivo policial e a crescente onda de assaltos e roubos”. O padre José Leandro disse esperar que o governo do Estado amplie o efetivo e realize fiscalização e procure coibir a ação dos criminosos. “Acredito que a Polícia vai agir e com naturalidade vai resolver esse problema”. “As pessoas procuram o padre para resolver todo tido de problema em cidade pequena, até de campeonato de futebol, e claro que estão reclamando muito contra a violência”, disse o sacerdote. CADEIA SEM CONDIÇÕES A cadeia não dispõe de viatura e sequer de telefone. A unidade precisa de reparos. Nas celas, o banheiro não tem descarga, o alojamento dos policiais é pequeno, os móveis foram doados pela comunidade e emprestados pelas instituições públicas. Outro fato é que em função do único posto de combustível da cidade não dispor de serviço de cartão de crédito, a viatura da Polícia Militar tem que ser abastecida em Tauá, que fica distante 42 km. Enquanto isso, a cidade fica desprovida de segurança. O prefeito de Arneiroz,  Monteiro Filho, ficou de apresentar reivindicação direta ao governador e ao secretário de Segurança Pública, para o aumento do contingente policial. “A situação de insegurança pública é preocupante no município”, disse.  “Assistimos comerciantes serem vítimas de assaltos, arrombamentos e pessoas sendo agredidas”. O gestor frisou que agricultores aposentados não têm mais tranquilidade na zona rural. (Com informações e colaboração de Amaury Alencar)