Petrobras lucra R$ 5,3 bilhões no 1º trimestre

O resultado reverte a tendência negativa do quarto trimestre de 2014, quando houve prejuízo de R$ 26,6 bi

QUEDA DE 1,2% O volume total de derivados vendido pela Petrobras no mercado interno atingiu 2,230 milhões de barris diários no primeiro trimestre de 2015 São Paulo. Menos de um mês após revelar o aguardado balanço auditado referente ao ano de 2014, a Petrobras divulgou ontem o resultado referente ao primeiro trimestre de 2015, período em que lucrou R$ 5,330 bilhões. O resultado representa uma queda de 1,2% em relação ao lucro líquido de R$ 5,393 bilhões reportado nos três primeiros meses de 2014, porém reverte a tendência negativa registrada no quarto trimestre do ano passado, quando a estatal amargou prejuízo de R$ 26,6 bilhões. Na oportunidade, a companhia incorporou ao resultado um impacto negativo de R$ 6,2 bilhões atribuído a gastos adicionais capitalizados indevidamente, objeto das investigações de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato, e mais de R$ 44 bilhões por provisionamento decorrente da desvalorização de ativos, também conhecido como impairment. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da estatal petrolífera, indicador que melhor dimensiona a capacidade de geração de caixa da companhia, totalizou R$ 21,518 bilhões no primeiro trimestre, elevação de 50% em relação ao mesmo intervalo de 2014. Já a receita líquida atingiu R$ 74,353 bilhões, queda de 8,8% em igual base comparativa. Causas A queda do lucro decorre da ausência de itens não recorrentes relevantes, segundo a estatal. O resultado também reflete os diferentes efeitos provocados pela variação cambial nos números da companhia. O dólar valorizado ajuda a impulsionar a receita com exportações, porém torna a importação de combustíveis mais onerosa. Além disso, a valorização da moeda norte-americana no decorrer do trimestre impacta negativamente o resultado financeiro da estatal, dado que grande parte do endividamento da empresa é denominado em dólar. O resultado financeiro líquido da Petrobras ficou negativo em R$ 5,621 bilhões no trimestre, resultado ainda pior do que os R$ 174 milhões negativos reportados no primeiro trimestre de 2014. A queda na receita é explicada pela desaceleração da demanda doméstica por combustíveis e, principalmente, pela forte retração no preço internacional do petróleo. O resultado não foi ainda pior graças ao dólar mais favorável às exportações, conforme já mencionado, e ao reajuste de combustíveis aplicado em novembro passado, de 3% na gasolina e 5% no diesel. Vendas O volume total de derivados vendidos pela Petrobras no mercado interno atingiu 2,230 milhões de barris diários no primeiro trimestre de 2015, o que corresponde a uma queda de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2014, houve retração de 10,3%, influenciada por fatores sazonais específicos do setor de combustíveis. Os números consideram a venda de diesel, gasolina, óleo combustível, nafta, GLP e querosene de aviação (QAV), além da categoria Outros. A comercialização de diesel, principal derivado vendido pela estatal, movimentou 907 mil barris diários, queda de 4% sobre o primeiro trimestre do ano passado. A Petrobras atribui a queda a fatores como o menor consumo em obras de infraestrutura e aumento do porcentual de biodiesel na mistura diesel/biodiesel. As vendas de gasolina somaram 573 mil barris diários, queda de 5% sobre o primeiro trimestre de 2014. A variação negativa reflete o aumento do etanol na composição da gasolina C, de 25% para 27% e a redução da frota de veículos movidos somente a gasolina. As vendas totais no mercado doméstico atingiram 2,793 milhões de barris diários, uma queda de 3,5% sobre o primeiro trimestre de 2014. No mercado externo, a Petrobras vendeu 915 mil barris diários, retração de 1,5% em igual base comparativa. Com isso, as vendas totais de derivados da Petrobras, somados os negócios no mercado interno e no exterior, atingiram 3,708 milhões de barris diários, variação negativa de 3%.