Túmulos de Campos e Percol são preparados em Santo Amaro
Emlurb espera que 150 mil pessoas compareçam ao funeral.
O Cemitério de Santo Amaro se prepara para receber os restos mortais do ex-governador Eduardo Campos, no mesmo jazigo do avô, o ex-governado Miguel Arraes. Na manhã desta sexta (15), é possível ver uma rede de proteção no entorno do túmulo [pré-moldado], onde será construída uma nova caixa para abrigar o corpo de Campos. O enterro será aberto ao público e uma área de um quarteirão será isolada, com áreas separadas para família, autoridades e imprensa. A expectativa da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) é que 150 mil pessoas compareçam ao enterro do político.
De acordo com o gerente de Necrópoles da Emlurb, Petrus Tejo, a maior parte da segurança do local será feita pela Casa Civil, além da presença dos 40 guardas que atuam diariamente no cemitério. "A presidente Dilma Rousseff confirmou que vinha. Porém só quem notificou, de fato, a gente foi a segurança de Aécio Neves, que esteve ontem aqui comigo", afirma Petrus. Foi montada uma força-tarefa de 200 homens para cuidar da varrição, capinação, poda e iluminação do local.
Segundo Tejo, o caixão deve chegar no carro do Corpo de Bombeiros e, depois de entrar pelos portões do cemitério, será levado por um carro elétrico. "A capela não foi solicitada para uso da família, porque já vai ter a missa campal no dia [no Palácio do Campo das Princesas]. As obras para receber o caixão devem ficar prontas amanhã, durante a tarde", comenta. O túmulo de Arraes é pré-moldado, ou seja, preparado para receber mais outras gavetas. "Será feita mais uma gaveta em cima, sobressaindo 80 centímetros. O prefeito Geraldo Julio achou melhor colocar a cobertura de mármore branco devido à simplicidade que eles tinham", explica.
Os restos mortais do jornalista Carlos Percol, morto no mesmo acidente, também serão enterrados no Cemitério de Santo Amaro, num túmulo encomendado pela Prefeitura do Recife. "A família pretende fazer uma cerimônia mais discreta, mas o esquema será o mesmo, são 80 centímetros de caixa para guardar o caixão", informa Tejo.
Desde que a notícia da morte de Campos foi divulgada, Dona Ivanise Barros da Conceição - zeladora do jazigo de Arraes há oito anos - ficou pensando que o lugar ideal para o enterro seria ao lado do avô, porque "eles eram muito parecidos". Ela ajuda a manter o jardim preservado e limpo, como é o desejo da família. Ivanise tem 52 anos e trabalha no Cemitério de Santo Amaro há 41. Nesse tempo, além de ter visto o enterro da mãe no cemitério, ela também presenciou o de Arraes. "Fazia um dia bonito no de Arraes. Eu acompanhei tudo, assistindo. Foi um dia de domingo, tinha um multidão imensa. Não choveu, foi um dia bonito", lembra.
"A gente apara as plantas, corta, coloca água, faz manutenção. A família é satisfeita com meu trabalho, eles não são exigentes, são pessoas simples. [Quando soube da morte de Eduardo pensei que] ele tem que ficar junto do 'avozinho', até porque a carreira dele começou com o avô", diz.
Segundo ela e a gerência do cemitério, muitos visitantes têm vindo ver o túmulo depois da morte de Campos. "É gente anônima, do povão. Porque ele [Arraes] era assim, do povo. Agora com a morte de Eduardo está vindo ainda mais gente", afirma. O motorista Edvaldo Floriano é um dos visitantes da manhã desta sexta. Ele estava no enterro de uma vizinha e aproveitou para conhecer o túmulo. "Eu sabia que ele vai ser enterrado perto do avô, então passei aqui. Vou vir no enterro também, pois fiquei muito abalado quando soube da morte, gostava muito de Eduardo", comenta.
Moema FrançaDo G1 PE



Comentários