São Paulo
Bolsonaro durante o encontro na segunda-feira (18) com chefes de missão diplomática em que atacou o sistema eleitoral brasileiro, no Planalto. — Foto: Clauber Cleber Caetano/PR
Ao chamar diplomatas estrangeiros ao Planalto para ouvirem ataques infundados ao sistema eleitoral brasileiro, presidente tentou desviar foco da opinião pública das denúncias de abuso na Caixa e do assassinato de petista por um bolsonarista. Mas, para assessores, trocou 'escândalos' por 'aberração' no momento em que poderia colher frutos da ampliação de benefícios sociais.
Aliados de Jair Bolsonaro (PL) veem como um "tiro no pé" e um "vexame" o evento promovido pelo presidente para repetir, para uma plateia de diplomatas estrangeiros, ataques infundados ao sistema eleitoral brasileiro.
A ideia do encontro – realizado na segunda-feira (18) no Palácio do Planalto com direito a erro de grafia na apresentação – foi do próprio presidente com o objetivo de desviar o foco da opinião pública de dois escândalos que afetam o projeto da reeleição:
As denúncias de abuso sexual contra o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, figura recorrente ao lado de Bolsonaro até cair em desgraça
O assassinato de um tesoureiro do PT por um apoiador do presidente da República – que já falou em "fuzilar a petralhada" – aos gritos de "Aqui é Bolsonaro".
Para aliados, Bolsonaro conseguiu, sim, desviar o foco, mas trocou os escândalos pelo que foi descrito como "aberração".
E, ao fazê-lo, o presidente ignorou os apelos do Centrão – que comanda a ala política do governo e a campanha à reeleição – para evitar maior radicalização.
Bolsonaro disse a interlocutores que queria reagir à reunião em que o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, afirmou a embaixadores que a comunidade internacional deveria estar "alerta" a "acusações levianas" contra o sistema eleitoral.
O grupo avalia que o evento – para o qual o Bolsonaro contou com o apoio de militares como o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro da Defesa, e Braga Netto, assessor especial da Presidência – "implodiu pontes com o comando do Tribunal Superior Eleitoral" justamente no momento em que tentava uma reaproximação com Alexandre de Moraes, que vai presidir a Corte nas eleições.
Após a reunião, Fachin, reafirmou a segurança do sistema eleitoral brasileiro e criticou – sem citar Bolsonaro – o que chamou de 'teia de rumores descabidos e populismo autoritário'.
A iniciativa foi considerada, ainda, completamente intempestiva, pois foi realizada no momento em que o governo se preparava para colher os frutos da ampliação de benefícios sociais às vésperas da eleição autorizada pela chamada Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Kamikaze.
A expectativa é que esses benefícios possam tirar Bolsonaro das cordas na corrida eleitoral – o último Datafolha, divulgado em 23 de junho, colocou Lula com 47% das intenções de voto no primeiro turno, ante 28% do presidente. Nos votos válidos, Lula teria 53% contra 32% de Bolsonaro, o que o garantiria vitória do petista no primeiro turno.
https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2022/07/19/aliados-veem-reuniao-de-bolsonaro-com-embaixadores-como-tiro-no-pe-e-tatica-diversionista-em-meio-a-escandalos.ghtml