Recursos desviados da Transpetro, subsidiária da Petrobras, teriam ido parar nos diretórios do PMDB em 2008 e 2010
Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia contra o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB) e os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO), Garibaldi Filho (PMDB-RN), o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado e outras três pessoas, por participação em esquema de corrupção.
A PGR aponta que os políticos denunciados cometeram os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, enquanto empresários teriam cometido crimes de corrupção passiva.
O inquérito tem como suporte as delações premiadas de Sérgio Machado, de Fernando Reis, executivo da Odebrecht Ambiental, e de Luiz Fernando Maramaldo, sócio da NM Engenharia.
Os três também foram denunciados, junto com Nelson Cortonesi Maramaldo, outro sócio da NM Engenharia. No total, a denúncia tem nove alvos.
Machado, primeiro delator a tratar do esquema, afirmou que parlamentares receberam, via doação oficial, repasses com recursos oriundos de vantagens indevidas pagas por empresas contratadas pela Transpetro, que constituiriam propina na avaliação da PGR.
Segundo Janot, com o propósito de ocultar valores provenientes da prática de crimes contra a administração pública, Renan Calheiros e Sérgio Machado "ajustaram o pagamento da vantagem indevida por meio de doações efetivadas a Diretórios Estaduais ou a Diretórios Municipais do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 2008 e em 2010".
Luiz Fernando Nava Maramaldo também trouxe elementos utilizados na denúncia, afirmando que a empresa dele fez a alguns parlamentares doações oficiais que, na verdade, eram propina -dinheiro desviado de contratos da empresa com a Transpetro.
"Os dados mostram que os Estados de alguns dos membros do PMDB que são alvo da Operação Lava- Jato receberam em 2010 e em 2014 recursos em montante desproporcional ao tamanho do eleitorado", afirmou Janot.
Na denúncia, a PGR pede também a reparação à Transpetro dos danos materiais causados por suas condutas, a perda da função pública dos condenados detentores de cargo, emprego público ou mandato eletivo. Os citados negam as denúncias.