Para a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, a Operação Coletivo Seguro, iniciada em 2014, contribuiu para a redução dos números FOTO: JOSÉ LEOMAR Nos primeiros três meses de 2015, foram registrados 411 assaltos a ônibus em Fortaleza. O número é 30% menor que o do igual período de 2014. O resultado confirma uma tendência de quedas desde 2013. Entretanto, representantes das empresas e dos motoristas ressaltam que a situação ainda é alarmante e a gravidade das ações criminosas tem aumentado. Os dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) revelam que, de janeiro a março, ocorre uma média de 4,57 ocorrências por dia. Para os motoristas, a sensação de insegurança é grande. "A segurança é zero. A gente corre todo tipo de risco", reclama o profissional Antônio Castro, que já foi assaltado três vezes. "Graças a Deus, levaram só os pertences, mas a todo momento a gente anda com tensão total", diz. O motorista Joaquim Barroso também agradece a Deus por nunca ter sido roubado. Contudo, ele admite que a maioria dos seus colegas já foi vítima. "Os assaltos são mais comuns na periferia e na Av. Sargento Hermínio. Dos meus amigos, já levaram tudo muitas vezes", disse. Para o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, a avaliação atual é positiva. "Porém, há muito o que avançar", avalia. Para ele, o maior problema é a tensão que existe durante os crimes. "Enquanto há assalto, existe aflição, porque é um ambiente coletivo e pode haver vítimas. O risco é grande se alguém reagir", alerta. Segundo ele, a situação já esteve bem melhor até 2011. "Em 2012, tivemos o avanço das ocorrências e 2013 chegou batendo recordes", ressalta. Contudo, as estatísticas do Sindicato apontam o início da queda no mesmo ano. Os dados são registrados pela entidade há 11 anos. Para Barreira, desde então, a instalação de cofres, câmeras de segurança e dos validadores dos cartões (aparelhos que descontam o valor da passagem), contribuiu para reduzir as ações. Contudo, o presidente considera que os crimes estão cada vez mais violentos. "É uma mudança no perfil dos assaltos. Como diminuiu o dinheiro, o número também caiu, mas eles ficaram piores", denunciou. Incêndios Outro risco cada vez mais comum para os usuários de transporte coletivo são os incêndios criminosos. Neste ano, já foram oito casos, alguns ligados ao crime organizado. De acordo com Barreira, o prejuízo por cada ônibus perdido nestas circunstâncias pode chegar a R$ 300 mil. "E dele não se aproveita nada, e o que sobra acaba virando um outro problema", destaca. Entretanto, os danos maiores não são materiais. "Além do prejuízo, vem o pânico nas empresas, que ficam em dúvida se colocam ou não mais carros na linha para substituir o que foi danificado", acrescenta. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS-CE) avaliou que boa parte da redução do número de assaltos se deve à Operação Coletivo Seguro, iniciada em 2014 e retomada em janeiro deste ano. As ações consistem em abordagens feitas por policiais civis e militares nos transportes públicos, o que pode incluir revistas dos passageiros. No início, o órgão divulgou que eram feitas 120 abordagens por dia nas seis Áreas Integradas de Segurança de Fortaleza, das 7h às 21h. Na Região Metropolitana de Fortaleza, seriam outras 60. Somente em março deste ano, segundo a SSPDS, foram 2.957 abordagens, nas quais foram realizados 19 flagrantes, a apreensão de 12 jovens e o recolhimento de cinco armas de fogo e 25 armas brancas, além de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Aflição A redução nos índices e a ação dos órgãos de segurança, entretanto, não é percebida por motoristas e cobradores. É o que diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE), Domingo Neto. "O que reduziu foi muito pouco", afirma. Para ele, os profissionais trabalham aflitos com a constante possibilidade de assaltos. Neto ressaltou que o Sindicato mantém conversas com o Sindiônibus e o poder público para mudar a situação. "É sempre complicado trabalhar assim, com assaltos que podem acontecer a qualquer momento. Se houver reação, tem um risco grande para os trabalhadores. A situação está muito aquém do que a categoria espera", completou. Germano Ribeiro Repórter