CE: contra o pessimismo, varejo quer crescer 5%

Para o presidente da FCDL, é uma projeção baseada em números do setor e em ações que a entidade promove

'REALISMO' Entre as iniciativas para estimular os lojistas, está a parceria com a Redecard, que proporciona taxas diferenciadas a eles, que poderão antecipar gratuitamente em até 15 dias o faturamento de seus estabelecimentos FOTO: HELOSA ARAÚJO Em meio a tantas projeções pessimistas do mercado financeiro, o varejo no Ceará continua investindo, inovando e fazendo planos para ter um ano promissor. A expectativa do segmento é fechar 2015 com resultados positivos, registrando em torno de 5% de crescimento sobre 2014.De acordo com o presidente da Federação das Câmaras de Diretores Lojistas do Estado do Ceará (FCDL), Francisco Freitas Cordeiro, não é que ele esteja sendo otimista, mas sim um realista, na medida em que suas previsões se baseiam em números reais do setor e no resultado das ações que a FCDL está empreendendo ao longo de 2015. Uma dessas ações mencionadas por ele é a realização de reuniões itinerantes com transmissão simultânea para todas as CDLs associadas à entidade, começando ontem, 30 de março, pela CDL de Maracanaú e com a próxima já agendada para 30 de abril, na CDL de Russas. Outras iniciativas previstas incluem a devolução do valor da mensalidade paga pelos lojistas em bônus de celular e o fechamento de parceria com a Redecard, proporcionando taxas diferenciadas aos lojistas, que poderão antecipar gratuitamente em até 15 dias o faturamento de seus estabelecimentos. O primeiro instrumento de fomento viabilizado pela atual gestão da FCDL é o Cartão Empresarial BNB/FCDLCE que, conforme a entidade dos lojistas, soma hoje R$ 2 milhões em negócios realizados, com ticket médio no valor de R$ 70 mil. Câmaras conectadas Ainda entre as iniciativas que prometem movimentar e fortalecer o setor, Freitas Cordeiro cita a 27ª Convenção Estadual do Comércio Lojista, que acontecerá nos dias 5 e 6 de setembro próximos, na cidade de Ubajara. "Estamos falando de soluções tangíveis, que trazem benefícios ao segmento. Hoje temos 80 CDLs sob o guarda-chuva da Federação. E elas interligadas se tornam mais fortes. Então montamos um sistema de videoconferência e hoje conseguimos falar simultaneamente com todas as regiões do Estado para tratar de demandas e buscar soluções que requerem ações rápidas. Se não fosse esse canal, eu não conseguiria falar com todos instantaneamente e muito menos visitar todas em três anos de gestão. E ainda por um custo zero", frisa. Perspectivas Para Freitas Cordeiro, mesmo com dificuldades a serem enfrentadas em 2015, como o encarecimento do combustível e da energia elétrica, o varejo cearense continuará aquecido. "No Interior, as ações dos lojistas estão dando retorno e os resultados do comércio no Interior seguem em linha ascendente. Aqui, o Fortaleza Liquida superou nossas expectativas, crescendo acima de 14%. Temos também a sinalização de uma estação melhor para minorar os efeitos da estiagem. No setor de supermercados, só nesta semana, temos duas inaugurações na Capital - o que mostra que o empresário está acreditando, está investindo. Além disso, com a alta do câmbio, os hoteis chegaram a capacidade máxima no Carnaval, o que é bom para o comércio e melhora toda a economia. Então, o momento do comércio cearense é bom", afirma. Na opinião do líder classista, nem o aumento do desemprego em fevereiro é motivo para pessimismo. "Todos os anos nessa época tem desemprego. É um comportamento sazonal do mercado, que ocorre devido a saída dos temporários, que foram contratados para trabalhar no fim de ano. Então, é um pessoal que já veio sabendo que não ia ficar. A diferença é que este ano a absorção dessa mão de obra foi menor. Se conseguimos absorver em média de 18% a 20% dos temporários, neste ano efetivamos abaixo de 10%. Mas isso é momentâneo", minimiza. 'Não será um ano negativo' Sobre a evolução do varejo em 2015 no Ceará, ele garante não ter dúvidas. "Este não será um ano negativo. Teremos resultados positivos. O varejo do Ceará deve crescer pelo menos 5%", prevê Freitas. Em relação ao País, o presidente da FCDL também não se deixa abater. "O governo federal está reagindo. Nosso País continua valorizado lá fora. O estrangeiro está vindo para o Brasil porque continua acreditando na gente. Então por que vamos desacreditar?", pergunta. Ângela Cavalcante Repórter