Marta Suplicy atualmente está sem partido e se desfiliou do PT em 2015, no auge da Operação Lava Jato, afirmando que a sigla tinha protagonizado 'um dos maiores escândalos de corrupção da nação brasileira'. Ela é cotada para vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de SP.
Por Rosana Cerqueira, GloboNews e g1 SP — São Paulo
O Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo bateu o martelo nesta sexta-feira (12) sobre o ato de refiliação da ex-prefeita Marta Suplicy à legenda.
O evento acontecerá em 3 de fevereiro, na capital paulista, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O local e o horário ainda estão sendo discutidos pelo Diretório Municipal do partido.
Ex-secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), Marta atualmente está sem partido. Ela se desfiliou do PT em 2015, depois de 33 anos, no auge da Operação Lava Jato.
A ex-prefeita deixou a sigla afirmando que a sigla tinha protagonizado “um dos maiores escândalos de corrupção da nação brasileira”.
Na época, Marta estava rompida com a então presidente Dilma Rousseff (PT) e votou a favor do impeachment dela no Senado, em 2016, mesmo tendo sido ministra da Cultura da gestão petista.
Troca-troca de partido
A volta de Marta ao PT depois de quase uma década é uma articulação do próprio Lula, que quer vê-la como vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo, na eleição de outubro.
Após deixar o PT, Marta se filiou ao MDB durante o governo Michel Temer, onde ficou até 2018.
Na eleição de 2020, chegou a se filiar ao partido Solidariedade, onde foi pré-candidata à prefeitura. Mas decidiu apoiar a chapa Bruno Covas (PSDB) e Ricardo Nunes (MDB), se tornando em 2021 a secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de SP, após a vitória da dupla nas urnas.
Saída da Prefeitura de SP
Marta Suplicy (sem partido) é recebida no Palácio do Planalto pelo presidente Lula (PT). — Foto: Divulgação/Palácio do Planalto
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) em reunião com a ex-secretária de Relações Internacionais da sua gestão, no gabinete do Centro de SP. — Foto: Divulgação
Lula e Boulos em evento do MTST nesta sexta-feira (25) em São Paulo. — Foto: DEIVIDI CORREA/ESTADÃO CONTEÚDO
Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Jair Bolsonaro em cerimônia de aniversário da Rota de SP — Foto: TOMZÉ FONSECA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Marta Suplicy, atual secretária em SP, e Ricardo Nunes, prefeito da capital paulista — Foto: Divulgação
A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (sem partido) deixou a secretária das Relações Internacionais da gestão do Ricardo Nunes (MDB) nesta semana, após pedir demissão durante uma reunião com o prefeito na tarde de terça-feira (9).
No mesmo dia, o blog da jornalista Daniela Lima informou que Marta aceitou ser candidata a vice-prefeita na chapa do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) após uma reunião com o presidente Lula (PT) na segunda-feira (8). Nunes vai tentar a reeleição e deve enfrentar Boulos em outubro.
Em carta entregue a Nunes, ela agradeceu a equipe e afirmou que, "neste momento em que o cenário político de nossa cidade prenuncia uma nova conjuntura, diferente daquela em que, em janeiro de 2021, tive a honra de ser convidada por Bruno Covas para assumir a Secretaria Municipal de Relações Internacionais, encaminho, nesta data, de comum acordo, meu pedido de demissão deste cargo" (leia a íntegra da carta mais abaixo).
Em nota, Nunes disse ter chamado a ex-prefeita para "para esclarecer as informações veiculadas pela imprensa". "Ficou decidido, em comum acordo, que ela deixa as suas funções na Secretaria Municipal de Relações Internacionais."
O deputado federal já havia sido oficializado como o cabeça de chapa da do Partido dos Trabalhadores (PT) no pleito. Pela primeira vez na história, a legenda não lançará candidatura própria à prefeitura da capital paulista, mas indicará um nome para vice.
De acordo com a legislação eleitoral, Marta tem até abril para se filiar a algum partido político.
Em dezembro de 2023, Lula deu a largada como cabo eleitoral de Boulos, ao participar de um evento do Minha Casa, Minha Vida na Zona Leste de São Paulo com o pré-candidato.
Nele, o presidente alfinetou Nunes e o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e disse que "não esconde" investimento de estado e prefeitura em obra federal. O petista foi o grande incentivador da candidatura do deputado.
A carta de Marta
"Ao Sr. Prefeito Ricardo Nunes,
Agradeço a oportunidade de ter-me proporcionado trabalhar pela cidade de São Paulo à frente da Secretaria de Relações Internacionais nos últimos 36 meses.
Com o seu apoio e colaboração tive a honra de desenvolver o programa que transformou São Paulo num "Farol Antirracista" através das "Exposições da Consciência Negra" nos últimos 3 anos. Realizamos as "Viradas ODS". Assmimos a presidência da "Rede Mercocidades". Conquistamos o prêmio "Cidade/Capital Verde" oferecido pela UCCI. Orgazinamos o São Paulo International Summit. Promovemos o Fórum contra a Discriminação da Unesco, incentivamos o Ecoturismo em Parelheiros, entre outras tantas ações que elevaram o prestígio, trouxeram divisas e valorizaram a cidade de São Paulo.
Agradeço à toda sua equipe de colaboradores, como também a do prefeito Bruno Covas que, em todos os momentos, acolheram-me com carinho, cordialidade, respeito, disposição de trabalho e dedicação.
Agradeço à minha equipe que ajudou-me a superar os obstáculos e, ao meu lado, trabalhou com afinco e disposição para implementar as políticas públicas e promover a cidade de São Paulo, nacional e internacionalmente.
Neste momento em que o cenário político de nossa cidade prenuncia uma nova conjuntura, diferente daquela em que, em janeiro de 2021, tive a honra de ser convidada por Bruno Covas para assumir a Secretaria Municipal de Relações Internacionais, encaminho, nesta data, de comum acordo, meu pedido de demissão deste cargo.
Como em outras passagens de minha vida pública, seguirei caminhos coerentes com minha trajetória, princípios e valores que nortearam toda a minha vida pública e que proporcionaram construir o legado que me trouxe até aqui."
Construção de alianças
O diretório municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT) anunciou nesta terça-feira (9) o apoio à pré-candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) a prefeito. Além do PDT, apoiam Boulos até a última atualização desta reportagem PT, PC do B, PV, e Rede.
"O Leonel Brizola é um dos grandes combatentes da democracia brasileira, e eu tenho orgulho de hoje estar recebendo apoio do partido de Leonel Brizola, numa data tão simbólica para a luta democrática do nosso país", afirmou Boulos, se referindo ao aniversário dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro.
O pré-candidato afirmou que ainda não falou com Marta a respeito da provável candidatura. "Eu não conversei com a Marta após o encontro dela com o presidente Lula. Como eu disse, as tratativas de definição da vice da chapa têm sido conduzidas pelo PT. Vamos com tranquilidade que em breve vai ter definição."
No discurso aos novos apoiadores, Boulos também mencionou o enfrentamento às candidaturas extremistas pelo Brasil.
"A eleição deste ano será uma batalha para que a gente possa enfrentar e derrotar o bolsonarismo, seja com as suas candidaturas tradicionais, os mais extremistas, seja com as candidaturas de união da direita para derrotar o nosso campo, com participação do bolsonarismo."
Conforme já publicado pelo g1, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apoiará a campanha de reeleição de Ricardo Nunes (MDB) para a Prefeitura de São Paulo.
Também presente ao evento do PDT, o deputado federal Rui Falcão (PT) disse que participou da conversa entre a ex-prefeita e Lula.
"Estive com a prefeita Marta Suplicy, o marido dela e o presidente Lula ontem. Já vínhamos conversando há um bom tempo a respeito disso. A partir, inclusive, disso que o Boulos falou de que ela foi fundamental naquela ampla frente que se construiu para a vitória do Lula [em 2022] e para o desemprenho notável do Fernando Haddad aqui na capital também."
"A prefeita Marta, de quem eu fui secretario durante quatro anos, e que foi a gestão mais revolucionária da cidade, tem um campo político. Não importa onde ela esteja hoje. Ela está como secretária do prefeito Nunes, mas está servindo a cidade, preocupada com a população de São Paulo, não com o prefeito nem com o partido", completou.
Além de Nunes, Boulos também terá Tabata Amaral (PSB), sua colega de Câmara dos Deputados, como concorrente na disputa pela prefeitura da capital paulista.
Em dezembro do ano passado, o ex-prefeito da capital, Gilberto Kassab, anunciou que o partido presidido por ele, o Partido Social Democrático (PSD), vai apoiar Nunes (MDB) à reeleição.
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2024/noticia/2024/01/12/pt-marca-refiliacao-de-marta-suplicy-ao-partido-para-3-de-fevereiro-ato-tera-presenca-de-lula.ghtml