ESTRATÉGIA DEFINIDA
Passada a frustração com a devolução de mais de 70% das reservas da Fifa na rede hoteleira cearense - situação minimizada com a "invasão" de Fortaleza por turistas uruguaios, mexicanos, alemães, ganenses e marfinenses, mas sobretudo dos originários do mercado interno por conta da Copa -, o segmento de turismo aposta, agora, no encontro dos chefes de Estado do Brics, em meados de julho próximo, e no turismo de negócios, como forma de levar o bom resultado deste primeiro tempo (semestre) "para alguns dias de acréscimo". O evento, que por dois dias deverá atrair centenas de representantes dos governos russo, chinês, indiano, sul-africano e brasileiro, além de jornalistas de todo o mundo, será o "pontapé inicial" para o "segundo tempo do jogo", ou seja, para o segundo semestre do ano.
"O objetivo agora é investir no turismo de negócios", sinaliza o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-CE), Darlan Leite, antecipando a estratégia para tentar atrair novos visitantes para o Estado, em um período difícil para o setor turístico, em decorrência das eleições.
Semestre conturbado
"O próximo semestre será conturbado por conta das eleições", confirma Leite, segundo quem o setor deve aproveitar o momento de "baixa" no fluxo turístico na rede hoteleira para começar a projetar as ações e políticas de trabalho para o ano seguinte, ou seja, para 2015. Um ano que, para ele, também será nebuloso, em decorrência das incertezas no cenário políticos tanto estadual como federal.
Opinião semelhante tem a presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav-CE), Verônica Patrício, para quem, "o segundo semestre será uma incógnita para o segmento". Conforme explicou, com a Copa do Mundo, as empresas aéreas criaram muitos voos extras, o que terminou por baratear os preços das passagens para os brasileiros voarem internamente e até para o exterior. "Esse período da Copa, por vários fatores, foi atípico. E quem aproveitou para antecipar as férias e viajar, não o fará no segundo semestre", avalia.
Legado
Para Leite, o "legado" da Copa do Mundo e da reunião do Brics só virá depois. "As pessoas, os turistas, os jornalistas vão levar as fotos, as experiências, os momentos vividos e que ficam no imaginário e isso pode gerar frutos", torce o empresário. É hora também, acrescenta, para rever o "elenco" do setor, que terá a partir de 1º de julho, um novo "centro-avante", na presidência do Convention Bureau, o também empresário do ramo hoteleiro, Régis Medeiros. Darlan Leite garantiu a posição e segue, reeleito, por mais dois anos, à frente da ABIH-CE. (CE)
Agropecuária é o setor que mais preocupa no Ceará
Passados quase três anos de seca e ao fim de mais uma quadra invernosa, mas sem chuvas regulares; a chegada do segundo semestre - período mais seco do ano no semiárido nordestino _ volta a preocupar o setor agropecuário no Ceará. Nem mesmo a informação de crescimento de 41,8% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor, no primeiro trimestre deste ano, sobre igual período de 2013, divulgado na última semana, pelo Ipece, foi suficiente para animar representantes do setor, lembrando que nos três primeiros meses do ano passado, o PIB da agropecuária cearense recuou 5,94%.
"Gostaria de ver esses números do Ipece, como é que foram feitos esses cálculos", questionou o presidente da Federação da Agricultura do Ceará (Faec), Flávio Saboia, ao tomar conhecimento, pela imprensa, dos resultados do PIB da atividade. Segundo ele, as perspectivas para 2014 não são animadoras, pelo contrário, são de muita preocupação.
"O segundo semestre no Ceará será de atividade agrícola reduzida. Após três anos de seca, o quadro (no Interior) é quase caótico", lamenta Saboia, ao citar como exemplo a situação da barragem do Açude Pentecoste, hoje com a penas 10% de volume de água, imprópria para o consumo humano.
Capacidade hídrica
"Em 30 dias, toda a cultura de coco (da região da Paraipaba) deverá morrer por falta d'água", prevê Saboia, diante da iminência do colapso de água para dar de beber ao gado e irrigar a lavoura, sobretudo de frutas e hortaliças, de áreas irrigadas, em vários municípios cearense.
Conforme disse, a capacidade hídrica do Estado, atualmente, é de apenas 30%, em média, isso porque o Açude Orós está com 60% de sua capacidade preservada. De acordo com ele, a situação "está com relativa normalidade apenas nas regiões do Cariri, Centro-Sul e parte da Norte".
Fundo seca
Flávio Saboia disse que reconhece os esforços que o governo do Estado vem fazendo (com a perfuração de poços, construção de cisternas e adutoras rápidas) para minorar o quadro de seca; mas somente a instituição de um fundo financeiro minimizaria os prejuízos dos pequenos e médios produtores e criadores e salvaria os empregos nessas propriedades rurais. "O Seguro Safra é apenas para a agricultura familiar", lamenta. (CE).