Manifestantes protestam contra prisão de líderes estudantis em Goiânia

Grupo pediu maior agilidade na análise no pedido de soltura dos estudantes.

Um grupo de aproximadamente 200 pessoas, segundo informações da Polícia Militar, protestou durante a tarde desta terça-feira (27) contra a prisão de líderes de movimento estudantil durante a Operação R$ 2,80, suspeitos de incitar a violência durante manifestações, em Goiânia. De acordo com alguns dos participantes do ato, que começou às 15h, a intenção também é lutar contra a criminalização dos movimentos sociais.

Carregando faixas e gritando palavras de ordem, estudantes, em sua maioria do ensino superior se reuniram na Praça Universitária e, em seguida, percorreram avenidas da capital até o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de Goiás onde continuaram reivindicando a revogação das prisões dos líderes do movimento estudantil.

Uma comissão do TJ recebeu representantes do movimento para uma reunião. De acordo com o tribunal, os estudantes pediam uma maior agilidade na análise do pedido de soltura dos estudantes. Ainda não há um prazo definido para quando o documento será julgado.

Após essa reunião, os manifestantes seguiram novamente em passeata até a Praça Universitária, onde encerraram o ato.

O trânsito ficou lento nas imediações durante a manifestação. A polícia ajudou a controlar o tráfego, que só foi normalizado após o grupo de dispersar.

Operação
Os quatros estudantes foram presos durante uma operação da Polícia Civil no ultimo dia 23, denominada R$ 2,80 com o objetivo de prender integrantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário suspeitos de depredar o patrimônio público e incitar a violência em Goiânia. Até o final da manhã, três estudantes, com idade entre 18 e 20 anos, foram detidos e cinco mandados de busca e apreensão, cumpridos. Um mandato de prisão ainda não foi efetivado.

De acordo com o delegado responsável pela operação, Alexandre Lourenço, da Delegacia Estadual de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), o grupo é suspeito de depredar pelo menos 100 ônibus do transporte público da capital durante manifestações nas últimas semanas. Os protestos foram motivados pelo aumento de R$ 2,70 para R$ 2,80 no preço da passagem do transporte coletivo na Grande Goiânia.

Segundo a polícia, as prisões ocorreram nesta sexta-feira para evitar mais protestos.  “Queremos cessar o vandalismo. Eles já tinham convocados outros atos para esta semana”, informou o delegado.

Alexandre ressaltou que as manifestações são legítimas. No entanto, de acordo com ele, os estudantes incitam a população a destruir os bens públicos. “A manifestação é permitida e não vamos questionar, mas eles estão expondo risco às vidas, à integridade das pessoas”, ressaltou o delegado.

De acordo com o comandante da operação, ainda não é possível definir o tamanho do prejuízo causado à população. “Estamos investigando os danos praticados por este grupo enquanto praticantes de manifestações públicas. Vamos ouvir as empresas de transporte para individualizar cada ato de vandalismo e identificar o montante do prejuízo”, explicou Alexandre.

A polícia tem dez dias para concluir o inquérito policial. Segundo Alexandre, eles devem ser indiciados por dano ao patrimônio público, associação criminosa e incitação à violência.

Do G1 GO, com informações da TV Anhaguera